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ALMG vai debater vacinação infantil após Zema defender matrículas sem imunização

Sede do Parlamento abrigará audiência pública sobre o tema na segunda (19); governador defendeu que jovens aprendam ciências antes de definir se querem receber injeções

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Fábio Baccheretti, secretário de Saúde de Minas, aplica dose da vacina contra a gripe em um dos braços do governador Romeu Zema, dentro de uma ambulância.
Polêmica sobre vacinação pautou debate político em Minas neste mês • Gil Leonardi/Imprensa MG

Deputados estaduais de Minas Gerais organizam, para a próxima segunda-feira (19), uma audiência pública a respeito da importância da vacinação de crianças e adolescentes. O debate vai acontecer duas semanas após o governador Romeu Zema (Novo) defender o ingresso de jovens em instituições de ensino mesmo sem a apresentação dos comprovantes de imunização.

A audiência, prevista para acontecer na sede da Assembleia Legislativa, em Belo Horizonte, foi solicitada por parlamentares do bloco de oposição a Zema no Parlamento, formado por representantes de PT, PCdoB, PV, Psol e Rede. Assinam o pedido os deputados petistas Beatriz Cerqueira, Betão, Cristiano Silveira, Doutor Jean Freire, Leleco Pimentel e Ulysses Gomes. Ana Paula Siqueira (Rede), Bella Gonçalves (Psol), Lohanna França e Professor Cleiton — ambos do PV — também subscrevem o documento.

"Nossa primeira audiência de 2024 será sobre um tema fundamental que é vacinação das crianças e adolescentes. Vacina é vida, vacina salva vidas e não pode, de forma alguma, ter alguém que acha que possa decidir sobre o não direito à vida. Pior ainda é quando o próprio Estado a negligenciar essa proteção", disse Beatriz Cerqueira, que preside a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia.

As falas de Zema

A polêmica a respeito da vacinação infantil começou no último dia 4, quando Romeu Zema gravou um vídeo a respeito do tema ao lado de dois representantes de Minas no Congresso Nacional: o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). À ocasião, eles defenderam a matrícula escolar dos jovens independentemente da participação, ou não, nas campanhas de vacinação.

Três dias depois, em entrevista à CNN Brasil, o governador reforçou a posição. Ele disse que a ideia é ensinar temas científicos nas salas de aula como forma de auxiliar os jovens na tomada de decisão sobre se imunizar ou não.

“Toda criança tem direito de frequentar a escola. Isso é inquestionável. A criança, com isso, vai ter uma merenda boa, que retomamos em Minas, boas escolas - e reformamos escolas em Minas. E vai, principalmente, aprender Ciência para que ela tenha condições no futuro, diferentemente do que já aconteceu no passado. Queremos que ela venha a decidir se quer ou não ser vacinada”, afirmou.

Polêmica com ministros

Um dia após reiterar a opinião, Zema viu, de perto, ministros de Estado encamparem discurso na direção oposta. O caso aconteceu durante evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e parte de seus auxiliares no Minascentro, em Belo Horizonte.

“Vacina e água potável são os grandes benefícios para aumentar a expectativa de vida. Diminui a mortalidade infantil. Quem ama, vacina”, falou Nísia Trindade, da Saúde.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), e o ministro da Educação, Camilo Santana (PT-CE), também abordaram o tema.

“Democratizar a ciência é sinônimo de preservar a vida. Isso evita números alarmantes como estes que estamos vivendo aqui em Minas. ‘Bora’, gente, vacinar todo mundo. Vacina salva vidas”, pediu Silveira.

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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.