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Aliados desaconselharam Flávio Bolsonaro a deixar o Brasil; veja bastidores

Grupo moderado orientou senador a não pedir anulação da eleição e seguir com Aije; Moraes determinou entrega de passaportes

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Flávio Bolsonaro deixou Brasil rumo aos Estados Unidos
Flávio Bolsonaro deixou Brasil rumo aos Estados Unidos • Anderson Romao/AGIF via AFP

rAliados aconselharam Flávio Bolsonaro a não deixar o país após o senador afirmar que corria risco de ser preso. O conselho foi dado por integrantes moderados de sua campanha, que também o orientaram a não pedir a anulação da eleição presidencial.

A orientação ocorreu na tarde de segunda-feira (26), em uma reunião no escritório de um dos advogados do senador, no Lago Sul, em Brasília. De acordo com apuração do blog de Jussara Soares, da CNN Brasil, foi a última vez que Flávio conversou com a maioria desses aliados.

O raciocínio do núcleo moderado era pragmático: uma eventual prisão do senador logo após a derrota nas urnas prejudicaria a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no exterior. Por essa razão, o grupo acreditava que nenhuma medida seria adotada contra Flávio. Os presentes também o aconselharam a seguir com uma Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) por abuso de poder econômico, em vez de buscar a anulação da votação.

Ainda na reunião, Flávio demonstrou irritação com a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a entrega de seus passaportes. O grupo o orientou a gravar um vídeo sobre o episódio.

"Hoje de manhã, fui visitar meu pai, como vocês sabem ele está em prisão domiciliar. E quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele, no meio da rua, fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país", disse Flávio no vídeo, publicado nas redes sociais na tarde de segunda-feira (26). Na gravação, o senador também anunciou que se dedicaria a organizar a oposição. "Para resistir ao caos, eu vou organizar a oposição. A gente fez a maioria no Senado e na Câmara. Foi uma vitória que vocês deram para o Brasil", afirmou.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador, cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.

Flávio Bolsonaro foi candidato derrotado à Presidência pelo PL. A partir de fevereiro de 2027, ficará sem mandato parlamentar pela primeira vez em 24 anos. Apesar da derrota presidencial, o PL saiu fortalecido das eleições: elegeu 121 deputados federais, terá 28 senadores a partir de 2027 e comandará seis estados, o maior número entre todos os partidos.

Duas investigações em curso

Proibido de deixar o país e obrigado a entregar os passaportes, o senador enfrenta o avanço de dois inquéritos da Polícia Federal (PF).

Um deles apura o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, com recursos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A PF investiga o destino do dinheiro e se parte dos valores bancou despesas de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, nos Estados Unidos.

O segundo inquérito investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz, amigo do senador, por meio de empresas de apostas e plataformas de pagamento. A investigação examina o acesso a uma conta de empresa ligada ao advogado e o custeio de viagens.

Flávio nega qualquer irregularidade e diz manter com Willer apenas uma relação de amizade. O advogado também contesta as suspeitas.a

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