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Advogado de Silveira renuncia à defesa e chama Moraes de 'magnânimo ditador'

Advogado abandona processos e em tom irônico escreve discurso de críticas a Suprema Corte

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O advogado Paulo César Rodrigues de Faria renunciou à defesa do ex-deputado Daniel Silveira em todos os processos que tramitam no STF
O advogado Paulo César Rodrigues de Faria renunciou à defesa do ex-deputado Daniel Silveira em todos os processos que tramitam no STF • Reprodução

O advogado Paulo César Rodrigues de Faria protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) a renúncia à defesa do ex-deputado Daniel Silveira em todos os inquéritos que tramitam na Corte, públicos ou sob sigilo. A petição, datada de 9 de janeiro de 2026, foi apresentada nos autos do EP 32/DF e de outros procedimentos vinculados ao ex-parlamentar. No documento, o advogado afirma que sua incumbência profissional estaria encerrada e que o trabalho no Supremo se esgotou. Também cita razões de saúde e questões de foro íntimo para justificar a saída.

Apesar do caráter técnico do pedido, o texto tem um irônico. Faria chama o ministro relator de “magnânimo ditador”, se refere ao STF como “Deus Supremo do Universo Tupiniquim” e encerra a manifestação com a frase “missão cumprida”. O advogado solicita ainda a retirada de seu nome da capa dos processos e pede dispensa do prazo de dez dias previsto no Código de Processo Civil para a transição da defesa, indicando que outros advogados já estariam aptos a assumir o caso.

O caso Daniel Silveira ganhou projeção nacional em fevereiro de 2021, quando o então deputado federal divulgou um vídeo com ataques e ameaças a ministros do STF, defendendo inclusive atos antidemocráticos. A gravação levou o ministro Alexandre de Moraes a determinar a prisão em flagrante do parlamentar, decisão posteriormente referendada pelo plenário da Corte. A partir daí, Silveira passou a responder a ação penal por ameaças ao Estado Democrático de Direito e coação no curso do processo.

Mesmo em liberdade provisória, ao longo de 2021 e 2022, Silveira foi submetido a uma série de medidas cautelares impostas pelo STF, como uso de tornozeleira eletrônica, restrições ao uso de redes sociais e proibição de participar de manifestações públicas. Em discursos e entrevistas, o então deputado reagia acusando o Supremo, especialmente Alexandre de Moraes, de abuso de poder, discurso que alimentou a narrativa de perseguição política entre aliados.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes autorizou o ex-deputado federal Daniel Silveira a se casar em Petrópolis, na serra fluminense. A cerimônia está agendada para 21 de fevereiro, às 10h30, em um cartório da cidade. Na decisão, Moraes limitou o tempo de permanência de Silveira no local a, no máximo, quatro horas, das 10h às 14h. A Seap (Secretaria de Administração Penitenciária) ficou responsável por monitorar Silveira.

Em abril de 2022, o STF condenou Daniel Silveira a oito anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, além de multa e perda dos direitos políticos. No dia seguinte ao julgamento, o então presidente Jair Bolsonaro editou decreto concedendo graça individual ao aliado. Em maio de 2023, por oito votos a dois, a Corte considerou o indulto inconstitucional por desvio de finalidade e restabeleceu a condenação.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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