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A três dias da eleição, institutos de pesquisas apontam o que pode definir o voto

Especialistas analisam fatores que podem influenciar a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro nos últimos dias antes da votação

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Urnas eletrônicas começam a receber dados para as eleições em Minas; entenda como funciona • Fabiano Frade

A quatro dias do início da votação, nenhuma pesquisa eleitoral aponta um favorito claro ao Palácio do Planalto. No primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente ou empatado com Flávio Bolsonaro (PL), dependendo do instituto, com diferenças que, em diversos levantamentos, ficam dentro da margem de erro. O cenário foi discutido na edição especial do “O Grande Debate Eleições 2026”, realizada na noite de quarta-feira (30).

No segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem em empate técnico nas pesquisas.

O cenário eleitoral apresenta divisões entre os eleitores. Lula lidera entre aqueles que ganham até dois salários mínimos, enquanto Flávio Bolsonaro tem vantagem nas faixas de renda superiores. Entre os católicos, Lula mantém a preferência, enquanto a maioria dos eleitores evangélicos segue com Flávio Bolsonaro. O Nordeste continua favorecendo a esquerda, e o Sul apresenta vantagem para a direita.

Voto útil, notícias e engajamento

Para Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, três fatores ainda podem alterar o cenário até a votação: o voto útil, com uma possível migração de eleitores de candidatos como Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão); as notícias e os debates; e, principalmente, o engajamento.

“O comparecimento dos eleitores é fundamental para a reta final e para os resultados que vão aparecer no domingo”, afirmou Russo. Segundo ele, esse fator só poderá ser captado de forma completa nas vésperas da eleição.

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, destacou que a avaliação do governo permanece negativa, com 49% de desaprovação e 46% de aprovação. De acordo com ele, existe um grupo relevante de eleitores que desaprova Lula, mas não declara intenção de voto em Flávio Bolsonaro.

“A chave dessa eleição talvez seja justamente o comportamento desse eleitor que está insatisfeito com o governo, mas que hoje se recusa a manifestar a intenção de voto em Flávio”, afirmou Tokarski.

Segundo o CEO da Nexus, esse eleitor tende a ser mais escolarizado, de classe média e dos grandes centros urbanos.

Abstenção pode crescer

Bruno Soller, analista e sócio do Real Time Big Data, classificou o atual pleito como possivelmente “a eleição mais negativa desde a redemocratização”. Para ele, os votos têm sido pouco afirmativos.

“As pessoas não estão escolhendo o candidato pelo gosto desse candidato, estão escolhendo mais na tentativa de derrotar o outro lado”, afirmou.

Soller também apontou que cerca de 12% a 13% dos eleitores ainda não sabiam em quem votar no domingo (4), segundo o último levantamento interno da empresa.

O analista avaliou que a abstenção deve crescer em relação ao primeiro turno da eleição anterior. Ele também não descartou, embora considere uma possibilidade remota, que a eleição pudesse ser definida já no primeiro turno.

Cila Schulman, CEO do Instituto de Pesquisa Ideia, também destacou a volatilidade dos votos nos levantamentos mais recentes.

“O eleitor está anestesiado, desanimado com as duas possibilidades presentes”, afirmou.

Ela explicou o chamado “antipetismo de chegada”, fenômeno em que eleitores de candidatos menores tendem a migrar para o nome mais forte da oposição nas vésperas da votação.

Por que o governo não ampliou a aprovação

Yuri Sanches, head de análise política da Atlas/Intel, avaliou os motivos pelos quais o governo não conseguiu aumentar a taxa de aprovação durante a campanha, diferentemente do que ocorreu com presidentes anteriores em eleições de reeleição.

Segundo Sanches, o governo chegou à campanha com rejeições consolidadas e diante de um cenário de desânimo entre os eleitores.

“É um Lula que foi eleito com um voto crítico”, afirmou, lembrando que a vitória de 2022 ocorreu por uma margem de 1,8 ponto percentual, em um contexto marcado pela avaliação negativa da gestão da pandemia e pela defesa da democracia.

Sanches também afirmou que o governo demorou a apresentar entregas concretas. Para ele, medidas como a isenção do Imposto de Renda não resultaram automaticamente em conversão de votos, em parte porque uma parcela dos beneficiados só sentirá os efeitos no ano seguinte, no momento da declaração do imposto.

“No saldo final do eleitor, parece não ter havido uma conquista, uma fidelização do apoio crítico que o presidente Lula recebeu em 2022”, concluiu.

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