O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou, em entrevista exclusiva à Itatiaia, que a “previdência [social] foi tomada de assalto” por associações, sindicatos, clubes de desconto e instituições bancárias.
Nesta sexta-feira (27), o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), iniciou a leitura do relatório final do colegiado. O documento pede o indiciamento de quase 230 pessoas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha — filho do presidente Lula (PT).
Em conversa com a Itatiaia, Viana afirmou que "mais pessoas deveriam ser indiciadas", citando que apenas as associações desviaram cerca de R$ 7 bilhões. "Estamos falando de pessoas que corromperam servidores públicos, que mantiveram núcleos dentro da previdência. Esses grupos se sustentaram com apoio de políticos que, de governo a governo, mantinham esses ‘cargos-chave’ em centenas de empresas que foram criadas de fachada para que o dinheiro escoasse", explicou o senador.
Viana culpa a base governista por tentativas de barrar investigações
O senador, que faz parte da oposição no Congresso, culpou a base do presidente Lula no Congresso pela demora nas investigações.
De acordo com ele, os parlamentares tentaram "enterrar" com a CPMI ao tentarem eleger para a presidência uma pessoa "ligada ao Estado".
O senador Omar Aziz (PSD-AM) foi o indicado da base governista para presidir os trabalhos do colegiado. Ele, no entanto, perdeu para Viana, pela diferença de três votos.
Decisão do STF
O presidente da comissão criticou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou a prorrogação do funcionamento da CPMI.
De acordo com Viana, a medida "impediu a sequência de uma investigação que avançaria em um setor muito mais complicado", referindo-se ao setor financeiro.