Saiba como fazer da guarda compartilhada uma experiência positiva para o pet
De acordo com especialista, modelo funciona quando as responsabilidades são conjuntas na prática

O Senado Federal aprovou, na terça-feira (31), a regulamentação da guarda compartilhada de animais de estimação em caso de separação de casais. Diante de separações, muitos responsáveis optam por dividir os cuidados com o animal, mas a guarda compartilhada exige organização e diálogo para que a mudança de rotina não prejudique o bem-estar do pet.
A guarda compartilhada pode funcionar bem quando existe comunicação entre os tutores, de acordo com Mayara Andrade, médica-veterinária de Guabi Natural (MBRF Pet). Para ela, informações sobre alimentação, peso do animal, restrições alimentares ou eventuais mudanças de comportamento devem estar na ponta da língua, alinhadas e compartilhadas na prática.
“Mais do que organizar a convivência, é essencial garantir que a qualidade dos cuidados permaneça a mesma em qualquer ambiente", diz a especialista, que reforça: a divisão do tempo com o animal deve vir acompanhada de responsabilidade conjunta, de fato.
“Os pets dependem da previsibilidade para se sentirem seguros. Quando a alimentação, os horários e os cuidados básicos são mantidos de forma consistente nas duas casas, o animal consegue se adaptar melhor à nova rotina e manter a saúde em equilíbrio”, complementa.
Entre os pontos sensíveis nesse cenário que necessitam de atenção está a alimentação. Mudanças frequentes de ambiente, horários ou tipo de alimento podem gerar estresse, alterações digestivas e até recusa alimentar.
“Quando o pet passa a alternar entre dois ambientes, o ideal é que a rotina alimentar permaneça o mais estável possível. Isso significa manter o mesmo alimento, respeitar os horários das refeições e seguir as quantidades recomendadas para o animal”, diz.
Mudança de hábitos
Um dos erros mais comuns em situações de guarda compartilhada é cada responsável oferecer um tipo diferente de alimento ou alterar a dieta sem orientação e alinhamento.
O ideal é que ambos os responsáveis combinem previamente qual será o alimento oferecido ao pet, orienta a veterinária.
“Oferecer alimentos distintos em cada casa pode causar desequilíbrio nutricional ou excesso de calorias. O melhor caminho é manter o mesmo alimento, independentemente de onde o pet esteja”, afirma Mayara.
Outro ponto que exige atenção são os petiscos. Em muitos casos, cada tutor oferece recompensas sem saber o que o outro já deu ao animal ao longo do dia.
“Quando o pet vive em duas casas, o ideal é que os tutores também alinhem a oferta de petiscos. Às vezes o animal acaba recebendo mais recompensas do que deveria, simplesmente porque cada pessoa acredita estar oferecendo pouco”, orienta a profissional.
Regulamentação
A proposta prevê que, na ausência de acordo entre os tutores, a Justiça poderá definir a divisão da convivência com o animal, assim como a responsabilidade por despesas como alimentação, higiene e cuidados veterinários.
O texto, de autoria da deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ), segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.
