Resgatar animal na rua exige cuidados para evitar riscos invisíveis à saúde; entenda
Com cautela e orientação técnica, é possível proteger o animal sem colocar em risco a própria saúde ou a de outros pets

Resgatar um cão ou gato abandonado é um gesto admirável de empatia, mas os primeiros minutos após o resgate podem ser decisivos para o animal e também para quem o ajuda. Especialistas alertam que agir sem orientação pode expor o resgatador a riscos físicos e sanitários, além da possibilidade de agravar o estado do animal resgatado.
No Brasil, onde há milhões de cães e gatos em situação de rua, segundo estimativas, o resgate precisa ser seguro. Ao retirar o animal da rua, a responsabilidade não termina no socorro imediato. E mesmo quando o animal parece saudável, há riscos que não são visíveis a olho nu.
O primeiro erro comum é agir por impulso, pois animais em situação de rua podem estar feridos ou em estado de defesa. A veterinária Tatiane Aranha explica que “animais abandonados podem estar assustados, famintos ou até agressivos por medo”, o que exige aproximação lenta e cuidadosa.
Em casos de agressividade, não é recomendado tentar capturar o animal sozinho. “Quando estão assustados, eles tendem a atacar para se defender”, afirma a especialista.
Segundo orientação do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), ao resgatar um animal “a primeira medida deve ser levá-lo para uma consulta com um médico-veterinário, tomando todas as precauções no primeiro contato”.
Isso porque muitos animais de rua carregam parasitas, infecções ou doenças contagiosas. Ainda de acordo com Aranha, “o resgate de um animal em situação de abandono exige atenção imediata à saúde do pet e ao controle sanitário do ambiente”.
Essas doenças podem representar risco tanto para outros pets quanto para humanos, especialmente em casos de zoonoses.
Outro erro frequente é levar o animal resgatado diretamente para dentro de casa.
Especialistas recomendam isolamento inicial e avaliação clínica antes de qualquer contato com outros animais. Além disso, a quarentena é indicada para observar sintomas que podem surgir dias depois, protegendo todo o ambiente doméstico.
O resgate exige compromisso com cuidados contínuos, incluindo tratamento, vacinação e possível adoção. Segundo orientação de Tatiane Aranha, “resgatar não é só levar para casa”, mas envolve decisões responsáveis sobre o futuro do animal.
Além disso, há implicações legais: após o resgate, abandonar novamente o animal pode ser considerado crime, conforme o Código Civil e a legislação ambiental brasileira.
A Itatiaia listou algumas dicas básicas do que fazer ao resgatar um animal abandonado. Confira:
- Avaliar o comportamento antes de se aproximar
- Evitar contato direto imediato, principalmente se houver sinais de agressividade
- Usar proteção (como pano ou caixa de transporte) quando possível
- Acionar ajuda profissional em casos de risco
- Encaminhar rapidamente para avaliação veterinária.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.
