Itatiaia

Maioria dos pets adotados no Brasil vem de resgates de rua, aponta pesquisa

Nova pesquisa GoldeN/Opinion Box revela que redes de contatos pessoais são a principal via de adoção

Por
Cachorro branco idoso com coleira vermelha
60% dos brasileiros concordam que ainda existe preconceito contra animais sem raça definida • Freepik

80% dos pets adotados no país foram resgatados diretamente das ruas (34%) ou repassados por amigos e conhecidos (46%), enquanto abrigos e ONGs respondem por apenas 9% das adoções, cada um. É o que mostra a nova pesquisa GoldeN/Opinion Box.

Ainda segundo os dados, no Brasil, o ato de adotar um animal de estimação é movido predominantemente pelo afeto e por redes de contatos pessoais, deixando as instituições formais em segundo plano.

Ainda que hoje se fale em adoção muito mais do que se falava antes, há cerca de 30 milhões de animais abandonados no Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

E os processos de adoção por meio de ONGs e abrigos estão, a pesquisa indica, ainda em um patamar secundário, desenhando um retrato da “adoção à brasileira”: um ato de solidariedade que acontece, em grande parte, fora das estruturas formais.

Para Felipe Mascarenhas, head de Marketing de GoldeN, “o objetivo com esta pesquisa foi ir além dos números para entender a alma do processo de adoção no Brasil”. 

“Os dados mostram uma nação apaixonada por animais, que se mobiliza de forma orgânica para dar lares a quem precisa. Mas também revelam desafios financeiros e comportamentais que levam ao abandono e à necessidade urgente de dar suporte a esses tutores.”

Outra confirmação da pesquisa é o reinado do “vira-lata” (sem raça definida, SDR) nos lares do país, sendo a maioria entre os gatos (75%) e mais comum entre os cães (28%).

No entanto, os dados acendem um alerta: 60% dos brasileiros concordam que ainda existe preconceito contra animais sem raça definida, enquanto uma esmagadora maioria de 86% acredita que a adoção de SRDs deveria ser mais incentivada.

Adotar é um ato de muita responsabilidade e quando a realidade pós-adoção se impõe, os desafios práticos são os principais motivos que levariam um tutor a devolver um animal. Segundo o estudo GoldeN/Opinion Box, problemas financeiros (48%) e problemas de comportamento do pet (39%) são as principais barreiras para a permanência do animal no lar.

Para solucionar o problema e evitar o abandono dos pets, os entrevistados pela pesquisa sugerem apoio. 87% dos entrevistados concordam que suporte e orientação após a adoção ajudariam a evitar o abandono, com destaque para o desejo por consultas veterinárias gratuitas ou com desconto (65%) e campanhas educativas sobre a adoção responsável (55%).

Por

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.