Gato idoso: 7 sinais que podem indicar algo além da idade
Gatos vivem cada vez mais, mas mudanças como parar de pular, perder peso, beber mais água, se esconder ou alterar o uso da caixa de areia não devem ser automaticamente atribuídas à velhice. Especialistas explicam quais sinais merecem atenção e como adaptar a casa para preservar a saúde e o bem-estar dos felinos

A chegada da velhice muda alguns hábitos dos gatos, mas nem toda alteração de comportamento deve ser considerada uma consequência normal da idade. Em muitos casos, sinais discretos podem indicar dor, doença ou a necessidade de adaptar o ambiente onde o animal vive.
Um gato que deixa de subir no sofá, evita escadas, passa mais tempo escondido ou abandona brincadeiras que antes faziam parte da rotina pode estar enfrentando algum problema de saúde. Como os felinos costumam esconder sinais de desconforto, perceber essas mudanças no dia a dia é importante para identificar possíveis doenças.
A classificação da 'International Cat Care' considera que a maturidade dos gatos começa aos 7 anos. A partir dos 11, eles entram na categoria de animais seniores e, aos 15 anos, são considerados super seniores.
Dados divulgados pela Royal Canin apontam que a expectativa de vida dos gatos aumentou 10% nos últimos cinco anos. Nos mercados desenvolvidos, um em cada três animais é considerado maduro ou sênior. Mesmo assim, um em cada quatro tutores de animais com mais de 7 anos ainda os considera simplesmente adultos.
Parar de pular pode ser sinal de dor
Uma das mudanças que mais facilmente são confundidas com a idade é a redução da mobilidade.
Segundo o veterinário especializado em medicina felina Alexis Jaliquias, muitos tutores percebem que o gato deixou de subir ou descer de determinados lugares e simplesmente concluem que ele está ficando velho.
"Uma das principais é que eles se movem menos e já não escolhem subir ou descer de determinadas superfícies. As pessoas pensam: 'bom, ele está velhinho', quando, na maioria dos casos, existem diferentes maneiras de identificar a dor, tratá-la e melhorar a qualidade de vida do nosso gato", explicou o especialista ao Infobae.
Problemas como dor nas articulações e artrite podem tornar atividades simples mais difíceis. O animal também pode deixar de brincar, evitar lugares altos ou demonstrar resistência ao uso de caixas de areia com bordas elevadas.
Por isso, mudanças persistentes na mobilidade merecem avaliação veterinária.
Mudanças no peso, na sede e no xixi também exigem atenção
Outros sinais podem aparecer de maneira silenciosa. Perda de peso, sede excessiva, aumento da frequência urinária, problemas digestivos, mau hálito, redução do apetite e surgimento de caroços estão entre as alterações que devem ser observadas.
Gatos idosos também podem desenvolver doenças renais, alterações hormonais, problemas cardíacos e doenças oncológicas. Jaliquias destaca que a identificação precoce pode fazer diferença no acompanhamento desses problemas.
"Doença renal, hipertireoidismo, doenças oncológicas, cardiopatias, entre outras. Com um simples exame de sangue e exames de imagem, como ultrassom ou ecocardiograma, todas elas podem ser diagnosticadas ou descartadas", afirmou.
A recomendação apresentada na reportagem é que gatos com mais de 10 anos passem por consultas veterinárias pelo menos duas vezes ao ano. A frequência dos atendimentos e os exames necessários, porém, dependem da história clínica e das condições de cada animal.
Mau hálito e dificuldade para comer não devem ser ignorados
A saúde bucal também merece atenção durante o envelhecimento. Desgaste dos dentes e doenças nas gengivas podem causar dor durante a alimentação. Um gato que se aproxima do pote e se afasta, passa a preferir alimentos mais macios ou reduz a quantidade de comida ingerida pode estar tentando evitar uma situação desconfortável.
Por isso, uma mudança no comportamento alimentar não deve ser interpretada automaticamente como uma simples alteração de preferência.
O gato idoso também pode precisar de uma casa diferente
Pequenas mudanças no ambiente podem facilitar a rotina do animal. Rampas, pequenos degraus, camas mais confortáveis e caixas de areia com bordas baixas podem ajudar gatos com dificuldade de locomoção. Comida e água também devem ficar em locais de fácil acesso.
Em casas com mais de um andar, distribuir esses recursos pelos diferentes níveis pode evitar que o animal precise fazer deslocamentos desnecessários.
A ideia não é transformar completamente a residência, mas permitir que o gato continue tendo acesso aos locais que costumava frequentar.
Alterações de comportamento podem ter várias causas
O envelhecimento também pode provocar mudanças cognitivas. Entre os possíveis sinais estão desorientação, ansiedade, insônia e alterações em hábitos que antes eram bem estabelecidos.
O gato pode, por exemplo, demonstrar dificuldade para encontrar a comida ou a caixa de areia.
Nessas situações, manter uma rotina previsível e evitar mudanças frequentes na disposição dos objetos pode ajudar a reduzir o estresse.
O mais importante é observar o padrão de comportamento do animal. Uma tarde mais tranquila ou uma soneca prolongada não necessariamente representam um problema. Já o abandono persistente de atividades que faziam parte da rotina merece investigação.
Alimentação precisa considerar as necessidades de cada gato
Com o envelhecimento, o olfato e o paladar podem ficar menos aguçados. Problemas dentários, digestivos e renais também podem alterar as necessidades nutricionais.
A textura e o aroma do alimento passam a ter importância maior, assim como a ingestão adequada de água.
Existem alimentos específicos para gatos com mais de 11 ou 15 anos, mas a idade, sozinha, não deve determinar uma mudança na alimentação.
Para Jaliquias, a decisão deve partir da avaliação da saúde do animal.
"O primeiro passo é realizar os exames que a medicina preventiva indica para cada etapa. Depois, com os resultados e o exame físico, teremos clareza para saber em que situação de saúde está o paciente. Entre as estratégias está a escolha de um alimento adequado para aquele momento", explicou.
O veterinário também destaca que suplementos e produtos voltados à saúde das articulações ou do sistema digestivo devem ser escolhidos de acordo com as necessidades individuais.
Gatos idosos também enfrentam dificuldades para conseguir um lar
A idade pode ser um obstáculo adicional para gatos que vivem em abrigos. Patricia Balsideratto, da Fundação de Gatitos, explicou ao Infobae que a instituição recebe animais de diferentes idades e considera idosos aqueles com 7 anos ou mais.
Segundo ela, esses gatos geralmente já possuem personalidade e hábitos bem definidos, o que pode facilitar a adaptação a uma nova casa.
"Conhecer a personalidade deles, saber se são carinhosos, sociáveis e tudo o que descobrimos sobre eles não vai mudar de forma drástica. Eles já estão formados. A maioria desses gatinhos é tranquila, tem rotinas muito simples e bem estabelecidas", afirmou.
A responsável pelo abrigo também destacou que muitos gatos idosos gostam de longos períodos de descanso, de tomar sol e de observar a casa de lugares altos. Além disso, geralmente já utilizam corretamente a caixa de areia.
Balsideratto defende que é preciso combater a ideia de que gatos adultos ou idosos seriam incapazes de criar novos vínculos.
"É um desafio nosso derrubar os mitos que existem em torno deles. Nas redes sociais, principalmente, surge a ideia de que não se deve adotar um gato adulto, de que ele não vai gostar do novo tutor ou de que, por já ter passado por situações difíceis, não conseguirá se adaptar", disse.
Para ela, a adoção representa uma nova oportunidade para animais que perderam suas famílias.
"Não há nada que nos traga mais conforto do que encontrar um novo lar para um gatinho de 8 ou 10 anos que perdeu sua mãe, cuja família não pode mais cuidar dele e que chegou até nós. Encontramos uma nova casa, uma nova mãe e uma nova esperança de vida", afirmou.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



