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Cães podem sentir dores sem demonstrar sintomas evidentes; entenda

Estudo mostra que sinais sutis de dor em cães passam despercebidos, o que reforça a importância da observação e da orientação veterinária

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Compreender corretamente os sinais faz toda a diferença • Pixabay/Reprodução

Reconhecer quando um cão está com dor nem sempre é simples. Ao contrário do que muitos imaginam, nem todo animal chora, manca ou demonstra desconforto de forma evidente. Em muitos casos, o sofrimento aparece de maneira silenciosa, escondido em pequenas mudanças de comportamento que passam despercebidas no dia a dia.

Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Utrecht, na Holanda, investigou justamente essa dificuldade. O estudo analisou como as pessoas interpretam sinais discretos de dor em cães e revelou que tanto tutores quanto quem não convive com animais têm dificuldades semelhantes para identificar esses indícios.

Os resultados foram publicados na revista científica Plos One e ajudam a explicar por que muitos cães continuam sofrendo por longos períodos antes de receberem atendimento adequado.

Pequenas alterações

Segundo as pesquisadoras, a dor leve ou moderada costuma se manifestar de forma sutil. O animal pode brincar menos, se isolar ou apresentar comportamentos considerados "estranhos". Esses sinais frequentemente são confundidos com preguiça, tédio ou até mau humor.

Esse tipo de interpretação equivocada pode atrasar a ida ao veterinário e agravar o quadro clínico. Em alguns casos, o cão pode conviver com desconforto por meses ou até anos sem diagnóstico.

Além disso, ignorar esses sinais pode trazer consequências comportamentais. A dor não tratada pode levar a problemas mais sérios, como irritação ou até agressividade.

Comportamentos podem indicar dor

Para entender melhor essa percepção, os cientistas aplicaram um questionário online com 17 possíveis sinais de dor e três situações reais envolvendo cães. Participaram mais de 600 pessoas, entre tutores e não tutores.

Entre os sinais apresentados estavam mudanças de personalidade, hesitação ao apoiar a pata e menor interesse em brincar. Também foram incluídos comportamentos menos óbvios, como lamber o nariz, bocejar ou farejar o ar.

Os participantes deveriam avaliar se cada comportamento indicava dor, sem receber explicações prévias sobre o tema. O objetivo era captar respostas espontâneas.

Os resultados mostraram que sinais claros de dor são mais facilmente reconhecidos. No entanto, quando os sintomas eram discretos, a maioria das pessoas falhou na identificação, independentemente de ter ou não experiência com cães.

Tutores experientes podem ajudar

Apesar da dificuldade geral, o estudo apontou um fator importante. Pessoas que já passaram por experiências com dor, especialmente ao acompanhar um cão doente, tiveram mais facilidade para reconhecer sinais sutis.

Isso indica que a vivência prática contribui para uma leitura mais sensível do comportamento animal.

Para as pesquisadoras, esse resultado reforça a necessidade de ampliar o conhecimento sobre comportamento canino. Embora ainda não exista um modelo ideal de treinamento, a educação pode ser uma ferramenta essencial para melhorar o bem-estar dos animais.

Conhecimento é fundamental

Compreender corretamente os sinais faz toda a diferença. Quando um tutor interpreta o comportamento do cão como desobediência ou falta de estímulo, a tendência é ter menos paciência. Já ao reconhecer que pode haver dor, a reação muda completamente.

Identificar esses sinais precocemente não só reduz o sofrimento do animal, como também ajuda a prevenir problemas mais graves e facilita o tratamento.

Especialistas destacam que mudanças discretas podem estar associadas a doenças importantes, como câncer ou osteoartrite. Por isso, a observação atenta e a busca por orientação veterinária são fundamentais.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.