Ave de rapina desapareceu da Espanha após séculos de caça e captura para falcoaria
O falcão-borní, ave de rapina que já ocupou amplas áreas da Espanha, deixou de formar populações reprodutoras no país após um forte declínio causado pela caça, envenenamento, destruição de habitats e retirada de ovos e filhotes dos ninhos

Durante séculos, o falcão-borní (Falco biarmicus) esteve presente em diferentes regiões da Espanha e chegou a ter grande importância na falcoaria, especialmente durante a Idade Média. A situação mudou ao longo do tempo, porém, e a espécie acabou desaparecendo do país como ave reprodutora.
O falcão-borní está incluído pelo Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico da Espanha (Miteco) no Listado de espécies extintas em todo o meio natural espanhol. Embora ainda possa ser visto ocasionalmente no território espanhol, esses registros não correspondem a populações que se reproduzem no país.
Segundo o site de notícias argentino Infobae, os exemplares observados atualmente podem ser aves que se dispersaram a partir de populações do norte da África, além de animais que escaparam ou foram soltos após serem mantidos como aves ornamentais.
Caça e retirada de filhotes contribuíram para o declínio
O desaparecimento do falcão-borní na Espanha está relacionado a um longo processo de redução de sua população. Na metade do século 20, a espécie sofreu um forte declínio em diferentes partes da Europa, provocado por fatores como envenenamento, caça e captura de aves para a falcoaria.
A retirada de ovos e filhotes dos ninhos também teve um papel importante. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), a perseguição e a coleta de ovos e filhotes para a falcoaria continuam entre as ameaças mais graves enfrentadas pela espécie.
A ave também sofreu com a destruição de seus ambientes naturais. Entre os problemas que atualmente afetam a espécie estão a urbanização, a intensificação das atividades agrícolas, a construção de estradas, a mineração a céu aberto e o uso de pesticidas.
Falcão ainda sobrevive em outras regiões
Apesar de ter desaparecido como espécie reprodutora da Espanha, o falcão-borní continua presente em diferentes partes do mundo. A ave pode ser encontrada em grandes áreas da África meridional e oriental e no Sahel, além de populações isoladas no Oriente Médio, na Ásia Menor e na Península Arábica.
Por causa dessa distribuição, a espécie é classificada atualmente como "pouco preocupante" na Lista Vermelha da UICN. Na região mediterrânea da Europa, porém, sua presença diminuiu consideravelmente e ficou restrita principalmente a países como Itália e Grécia.
Nascimento de filhotes traz esperança
Embora não existam atualmente projetos de reintrodução do falcão-borní na natureza espanhola, iniciativas de reprodução em cativeiro vêm trazendo novos sinais de esperança para a espécie.
Em 2020, o Grupo de Reabilitação da Fauna Autóctone e seu Habitat (GREFA) conseguiu o nascimento de dois filhotes de um casal de falcões-bornís que havia sido levado ao centro meses antes. Na ocasião, o grupo afirmou: "Por enquanto, demos um primeiro passo, mas quem sabe se este não é o começo de uma nova frente que abrimos em favor da recuperação de uma ave tão interessante."
Em 2025, o Centro de Conservação da Biodiversidade Zoobotânico de Jerez, em Cádiz, também registrou o nascimento de dois filhotes. O resultado veio depois de anos de tentativas que não tinham sido bem-sucedidas, em parte devido à idade avançada da fêmea mantida no centro.
Uma nova fêmea, mais jovem, foi incorporada ao Zoobotânico em 2024. A mudança permitiu finalmente a reprodução e o nascimento dos filhotes no ano seguinte.
O zoológico destacou que "esta primeira reprodução será apenas o começo de futuras ações destinadas a restituir o falcão-borní como parte de nossa fauna".
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



