Vale vai comprar toda a produção da mina da Cedro em Mariana, que anuncia férias coletivas para 500 trabalhadores
Paralisação começa na segunda-feira (9), por 15 dias, com possibilidade de prorrogação; expansão prevê investimento de R$ 3,5 bilhões

A Vale vai comprar toda a produção de minério de ferro da mina da Cedro Participações, em Mariana, após a expansão do empreendimento. A informação foi divulgada pelo presidente do Conselho de Administração da empresa, José Carlos Martins, durante entrevista ao programa Mapa da Mina, da CNN Money, exibida na quarta-feira (4).
O acordo envolve a incorporação de um direito minerário da Vale, localizado ao lado da área da Cedro. A união das áreas permitirá a formação de uma mina com capacidade de produção superior à que a empresa teria condições de alcançar utilizando apenas o próprio direito minerário.
Na entrevista, José Carlos Martins explicou que a parceria foi necessária para viabilizar o projeto. “Nós temos uma mina ao lado de um direito minerário da Vale. E a nossa mina sozinha não teria condição de produzir um volume como nós vamos produzir”, afirmou.
Segundo o executivo, o acordo prevê que a Cedro utilize o direito minerário da Vale por meio de arrendamento e destine à mineradora toda a produção da unidade. “Nós fizemos esse acordo com a Vale, incorporamos esse direito que ela tem como arrendamento, fizemos uma mina maior e, ao mesmo tempo, nós vamos vender 100% do que vamos produzir para a Vale”, declarou.
Martins também relacionou a parceria à demanda por minério utilizado na produção de pelotas. Segundo ele, a Vale possui unidades de pelotização na região de Vitória, no Espírito Santo, que poderão receber o material produzido em Mariana.
O presidente do Conselho de Administração da Cedro classificou o acordo como uma parceria com benefícios para as duas empresas. Na avaliação dele, o processamento do minério também representa uma etapa de agregação de valor à produção mineral.
“Não somos apenas um setor que tira o recurso do chão e manda para o exterior, não agrega valor. Agregamos muito valor”, afirmou. Martins explicou que o processamento permite elevar o teor de ferro do material extraído. Segundo ele, o minério que apresenta concentração entre 45% e 48% de ferro passa por etapas de beneficiamento para alcançar qualidade que permita sua comercialização.
Em setembro de 2026, a Cedro recebeu licenças ambientais para ampliar a capacidade de produção da mina de Mariana para até 10 milhões de toneladas de minério bruto por ano. O investimento previsto para a expansão é de R$ 3,5 bilhões. Atualmente, o complexo tem capacidade para produzir cerca de 3 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.
De acordo com informações divulgadas pela mineradora, a unidade emprega cerca de mil trabalhadores diretos e 1,5 mil indiretos.
A entrevista de José Carlos Martins foi exibida um dia antes do anúncio de uma paralisação temporária das atividades da mina. A partir de segunda-feira (9), cerca de 500 trabalhadores da unidade entrarão em férias coletivas pelo período de 15 dias. O prazo poderá ser prorrogado por mais 30 dias.
A Cedro atribuiu a decisão ao aumento dos custos logísticos no mercado internacional.
Matheus Renovato, natural de Belo Horizonte, é repórter multimídia da Itatiaia Ouro Preto, onde está desde 2023. Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto, possui experiência prévia na Rádio UFOP. Seu interesse profissional concentra-se especialmente nas áreas de jornalismo político, cultural e esportivo.



