Serra do Pires terá área de proteção ambiental e Observatório e Planetário em Congonhas
Projetos preveem proteção de 207 hectares, estrutura para pesquisa e educação científica e R$ 30 milhões em investimentos

A Serra do Pires, em Congonhas, será destinada à proteção ambiental e receberá um equipamento voltado à pesquisa e à educação científica. A proposta prevê a criação do Monumento Natural da Serra do Pires, o MONA, e a instalação de um Observatório e Planetário.
O MONA terá 207 hectares. A unidade de conservação será destinada à proteção de áreas de importância natural, paisagística e ambiental. A proposta também considera os valores hídrico e geológico da Serra do Pires.
O Observatório e Planetário será projetado pelo Laboratório Nacional de Astrofísica em parceria com a Prefeitura de Congonhas e a Universidade Federal de São João del-Rei, a UFSJ. A estrutura será voltada para pesquisa científica, educação e divulgação do conhecimento. A administração ficará sob responsabilidade da universidade.
Os dois projetos fazem parte de uma parceria entre a Prefeitura de Congonhas e o Grupo J. Mendes. O investimento previsto pela empresa é de R$ 30 milhões. Desse total, R$ 15 milhões serão destinados ao Observatório e Planetário. Outros R$ 7 milhões serão aplicados na requalificação urbana do bairro Pires e R$ 8 milhões no fornecimento de água potável e no saneamento básico. A Prefeitura também informou que fará um aporte financeiro.
Durante o anúncio, o prefeito Anderson Cabido relacionou os projetos à preservação da Serra do Pires e à criação de oportunidades para estudantes.
"Poucos lugares em Minas e no Brasil vão ter um equipamento de um observatório astronômico, um planetário como esse que nós vamos ter", afirmou.
O prefeito também destacou o valor ambiental e cultural da área. Segundo Anderson Cabido, a Serra do Pires "tem um valor ambiental, mas que também tem um valor cultural gigantesco, já que ela compõe o conjunto paisagístico da Basílica".
O prefeito afirmou que a parceria com a empresa também prevê intervenções no bairro Pires. Entre os pontos citados estão infraestrutura, saneamento, abastecimento de água, ruas e pavimentação.
"A gente já tem um breve diagnóstico das necessidades principais e que a gente quer, agora, dialogar e fechar esse pacote com a comunidade", disse.
Anderson Cabido também afirmou que a estrutura científica poderá ampliar o contato de estudantes com ciência e tecnologia. "Conectar e abrir a possibilidade dos jovens para essa oportunidade de ter contato direto com a ciência, com a tecnologia, com um novo mundo, com novas oportunidades", declarou.
O diretor de Pessoas do Grupo J. Mendes, Marcelo Oliveira, explicou que a empresa foi procurada pela Prefeitura para participar da construção do projeto.
"A gente recebeu um contato da prefeitura através do prefeito Anderson Cabido, que junto da secretária de Tecnologia, a Rina, e o secretário de Meio Ambiente, que é o João Lobo, tinham esse projeto e precisavam de apoio", afirmou.
Segundo Marcelo Oliveira, a participação da empresa está relacionada à atuação junto ao poder público e à comunidade. "A J.Mendes entende que a responsabilidade empresária ultrapassa impostos e geração de empregos", disse.
O reitor da UFSJ, Marcelo Andrade, afirmou que o projeto do Observatório e Planetário já fazia parte dos objetivos de professores da universidade.
"Já era um objetivo dos nossos docentes, das nossas docentes, que encabeçaram esse projeto, já há muitos anos. E agora, com o apoio da prefeitura de Congonhas, a gente consegue efetivar tanto com um observatório astronômico, quanto com um planetário", afirmou.
Marcelo Andrade também citou a utilização do equipamento para atividades de educação. "A gente vai poder trabalhar também com os nossos estudantes, com o desenvolvimento de pesquisa", disse.
A proposta também foi acompanhada por representantes de outros municípios. O secretário de Meio Ambiente de Ouro Preto, Chiquinho de Assis, participou do evento e relacionou a iniciativa às ações de preservação ambiental no Alto Paraopeba.
Segundo Chiquinho, a parceria entre poder público, iniciativa privada e comunidade pode servir como referência para outros territórios. "O grande aprendizado que a gente leva é da parceria, iniciativa privada, poder público, comunidade", afirmou.
O secretário também citou áreas de Ouro Preto onde, segundo ele, iniciativas de preservação podem ser desenvolvidas. "Quem sabe em breve nós vamos poder replicar ações como em Antônio Pereira, em Botafogo, em Miguel Burnier, nossos territórios também de mineração, mas que precisam ser preservados", declarou.
A presidente da Cobap, Associação Comunitária do Bairro Pires, Isaura Lourdes, afirmou que os moradores acompanharam as discussões sobre a preservação da área.
"O pessoal temia que as empresas mineradoras iam derrubar, iam acabar com o nosso bairro", afirmou.
Segundo Isaura, a criação do MONA representa uma mudança na relação dos moradores com a área. "Agora a gente sabe que nosso bairro, as pessoas, os moradores, três mil moradores que nós temos dentro da comunidade, ficarão tranquilos", disse.
Ela também destacou a participação da comunidade nas discussões. "Essa vitória que foi não da associação, mas de todos os moradores envolvidos junto com o diálogo entre a empresa, a prefeitura e a associação de bairro representando todos os moradores", afirmou.
A proposta para a Serra do Pires reúne ações de proteção ambiental, infraestrutura, saneamento e abastecimento de água. O Observatório e Planetário acrescenta ao projeto uma estrutura destinada à pesquisa, educação e divulgação científica.
Matheus Renovato, natural de Belo Horizonte, é repórter multimídia da Itatiaia Ouro Preto, onde está desde 2023. Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto, possui experiência prévia na Rádio UFOP. Seu interesse profissional concentra-se especialmente nas áreas de jornalismo político, cultural e esportivo.


