Belo Horizonte
Itatiaia

Movimento feminista realiza ato em Ouro Preto no Dia Internacional da Mulher

Manifestação na Praça Tiradentes denuncia precarização do trabalho feminino, violência de gênero e impactos socioambientais da mineração

Por
JVA

O movimento feminista Marias das Minas, formado por coletivos da Região dos Inconfidentes, Minas Gerais, realiza nesta sexta-feira (08/03) um ato público na Praça Tiradentes, em Ouro Preto. A mobilização tem início às 8h30 e será acompanhada por um café coletivo, reunindo mulheres e apoiadores na defesa de direitos e contra diversas formas de opressão.

A manifestação marca o Dia Internacional de Luta das Mulheres, com pautas voltadas às condições de trabalho, violência de gênero e impactos socioambientais da mineração. As ativistas denunciam a precarização do trabalho feminino, caracterizada por baixos salários, assédio e jornadas exaustivas. Também alertam para o aumento da exploração sexual de mulheres e crianças em áreas mineradoras, especialmente nos distritos de Antônio Pereira, Miguel Burnier e na localidade de Botafogo, recentemente liberada para exploração pela Prefeitura de Ouro Preto.

Entre as reivindicações, o grupo exige a revogação das reformas trabalhista e previdenciária, o fim da escala 6x1 — que afeta principalmente mulheres negras, mães solo e pessoas LGBTQIAP+ — e a ampliação de investimentos em saúde e educação. As ativistas criticam o arcabouço fiscal, que limita gastos públicos e afeta a oferta de serviços essenciais.

A luta contra a violência de gênero também é uma prioridade, em meio às crescentes preocupações com desaparecimentos e casos de feminicídio na região. O grupo recorda o caso de Iris Magno, desaparecida após sair para caminhar no bairro São Sebastião. Outro ponto de reivindicação é o funcionamento 24 horas da Delegacia da Mulher de Ouro Preto, conquista de 2021 que ainda não opera em regime integral.

Críticas às políticas dos governos estadual e municipal também serão expressas durante o ato, com oposição à privatização de serviços essenciais, como a concessão da Saneouro.

O movimento reforça que o 8 de Março é um dia de luta e convida todas as mulheres a participarem do ato e do café coletivo na Praça Tiradentes, a partir das 8h30.

Por

Laura Gorino é mineira e jornalista formada pela UFOP. Atualmente como repórter multimídia na Itatiaia, com passagem prévia pela filial da rádio em Ouro Preto.