Belo Horizonte
Itatiaia

Iphan aprova tombamento federal da Casa da Ópera de Ouro Preto

O teatro é considerado o mais antigo em funcionamento contínuo da América Latina

Por
Léo Homssi

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan aprovou, nesta terça-feira, dia 9 de junho, o tombamento federal da Antiga Casa de Ópera de Vila Rica, atual Teatro Municipal de Ouro Preto. Com a decisão, o imóvel será inscrito no Livro do Tombo Histórico e no Livro do Tombo das Belas Artes.

A proteção federal abrange a edificação, o terreno e os bens integrados ao imóvel. O teatro, inaugurado em 7 de junho de 1770, é considerado o mais antigo em funcionamento contínuo da América Latina e um dos raros exemplares das casas de ópera do período colonial brasileiro.

Apesar de já estar inserido no conjunto histórico de Ouro Preto, tombado pelo Iphan desde 1938, o prédio passa agora a ter proteção individual em âmbito federal. O processo de tombamento havia sido aberto em 1963 e ficou mais de 60 anos sem uma decisão definitiva.

O parecer aprovado pelo conselho destaca a importância histórica, arquitetônica, artística e simbólica do espaço. Ao longo dos séculos, a Casa da Ópera recebeu apresentações musicais, espetáculos dramáticos e eventos culturais que fizeram parte da vida social da antiga Vila Rica.

O documento também ressalta aspectos sociais da trajetória do teatro, como a presença de mulheres no elenco e a participação de artistas negros, mestiços, livres e escravizados nas atividades culturais realizadas no local.

Do ponto de vista arquitetônico, o prédio preserva características da arquitetura teatral luso-brasileira do período colonial. Entre os elementos destacados estão a organização interna em forma de lira, o palco italiano, galerias, balcões, camarotes, o chamado “camarote do governador” e uma pintura alegórica localizada sobre a boca de cena.

Mesmo após reformas realizadas nos séculos XIX e XX o teatro manteve sua configuração essencial e permanece em bom estado de conservação.

A decisão também prevê a definição de uma área de entorno para preservar a ambiência urbana e a integridade estrutural do monumento, que fica próximo a outros bens culturais de Ouro Preto, como a Igreja de Nossa Senhora do Carmo e o Museu da Inconfidência.

Por

Bruna Truocchio é repórter da Rádio Itatiaia Ouro Preto e apresentadora do jornal local. Formada em Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá, tem pós-graduações em Filosofia e Marketing Digital.