Empreendedorismo feminino cresce em Minas Gerais e impulsiona economia
Pesquisa do Sebrae Minas revela que a maioria das empreendedoras tem negócio consolidado e busca autonomia financeira, apesar dos desafios na gestão

A cada ano, o empreendedorismo feminino em Minas Gerais ganha força e se consolida como uma tendência crescente no estado. Dados da terceira edição da “Pesquisa Mulheres Empreendedoras”, realizada pelo Sebrae Minas, apontam que o negócio próprio é, para muitas, a principal fonte de renda. O estudo, realizado entre fevereiro de 2025, revela que 8 em cada 10 mulheres empreendedoras afirmam que o negócio que comandam é sua principal fonte de sustento.
Com o aumento da participação feminina no mundo dos negócios, uma realidade importante se destaca: a maioria das empreendedoras mineiras está gerando impacto econômico. Aproximadamente metade das respondentes têm um faturamento mensal superior a R$ 5 mil e três em cada dez empreendedoras estão criando empregos.
Com uma maioria de negócios consolidados, com mais de 3 anos de atividade, o perfil das empresárias tem mudado e se fortalecido.
A pesquisa também revelou que a faixa etária predominante entre as empreendedoras de Minas é de 31 a 50 anos, com 60% das entrevistadas dentro dessa faixa. Esse dado é um reflexo de uma geração de mulheres mais maduras, que buscam no empreendedorismo uma forma de alcançar autonomia e resiliência.
A maioria delas, que tem entre 31 e 50 anos, também é casada e tem filhos — o que traz um retrato de uma realidade multifacetada: a conciliação entre os desafios familiares e a vida profissional. Uma tarefa que, muitas vezes, exige mais do que habilidades gerenciais, mas também políticas públicas que favoreçam essa dupla jornada.
Apesar de serem a força propulsora de suas empresas, são muitos os desafios para essas mulheres. O levantamento mostra que mais de 60% enfrentam dificuldades em gestão, e 46% se sentem sobrecarregadas tentando equilibrar as demandas de trabalho e vida pessoal. A falta de capacitação, especialmente em gestão, é outro obstáculo apontado por muitas empreendedoras, já que mais da metade delas não tem acesso a cursos ou mentorias que as ajudem a expandir seus negócios.
Minas Gerais se destaca no cenário nacional: de acordo com levantamento do Sebrae Minas, 40,9% dos pequenos negócios no estado são comandados por mulheres. Esse número coloca Minas em segundo lugar no país, atrás apenas de São Paulo. O setor de serviços é o mais relevante, com mais de 450 mil empresas lideradas por mulheres, seguido pelo comércio.
Esses números refletem não apenas uma ascensão no número de negócios femininos, mas também uma mudança cultural importante em Minas Gerais, onde as mulheres começam a ser protagonistas do próprio destino econômico.
Laura Gorino é mineira e jornalista formada pela UFOP. Atualmente como repórter multimídia na Itatiaia, com passagem prévia pela filial da rádio em Ouro Preto.



