Dia da Literatura Brasileira: Bruno H. Castro fala sobre fé, hábitos de leitura e sua obra “A Benzedeira”, ligada a Ouro Preto
O escritor aborda a conexão entre a juventude, a fé e a cultura popular brasileira, destacando a importância de Ouro Preto na construção de sua obra

Nesta quinta-feira, 1º de maio, é celebrado o Dia da Literatura Brasileira — data que destaca a importância da leitura e valoriza as obras e autores nacionais.
Em 2025, a data chama atenção para um cenário desafiador: segundo a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em novembro de 2024, 53% dos entrevistados não leram nem sequer parte de um livro nos três meses anteriores à pesquisa. É a primeira vez que o levantamento registra a maioria da população brasileira afastada da leitura — considerando livros impressos ou digitais, de qualquer gênero, incluindo religiosos, didáticos e a Bíblia.
Em meio a esse contexto, a celebração ganha novo significado com iniciativas que aproximam o público da literatura. Um dos destaques é o lançamento de A Benzedeira, obra do roteirista e produtor cinematográfico Bruno H. Castro.
Sobre a obra: A Benzedeira
A história de A Benzedeira segue um poeta que viaja pelo interior de São Paulo em busca de inspiração para seu primeiro livro. Durante essa jornada, ele encontra Dona Jovelina, uma benzedeira famosa por seus rituais de cura. A partir desse encontro, os personagens descobrem uma conexão com a cidade de Ouro Preto, através da figura de Aurora, a “peregrina milagrosa”.
O livro, escrito em formato de cordel, aborda temas como a fé e a intolerância religiosa, com um enfoque especial nas práticas religiosas de matriz africana e indígena. A escolha do estilo de cordel e o uso de elementos do realismo fantástico são frutos de uma pesquisa que durou dez anos, segundo o autor.
Sobre o autor
Bruno H. Castro compartilha que a inspiração para a história vem das memórias de sua infância em Barbosa, no interior de São Paulo, onde teve contato com benzedeiras. A obra também é influenciada pela leitura de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, que, segundo ele, marcou um antes e depois em sua escrita e compreensão da literatura.
Além de A Benzedeira, Bruno é autor de projetos premiados, como as animações Sangro e Guida, que receberam reconhecimento em festivais nacionais e internacionais. Ele também se dedica a iniciativas voltadas à comunidade LGBTQIAPN+, como a coleção de literatura infantil Amar e a série de cordéis Lampioa.
O livro está disponível para aquisição por meio do perfil @abenzedeirafilme no Instagram.
Antônia Veloso tem 25 anos, é ouro-pretana e estudante de jornalismo na Universidade Federal de Ouro Preto. Se interessa por diversas temáticas, como jornalismo cultural, jornalismo político e jornalismo econômico.



