7 de Setembro reforça tradição cívica de Ouro Preto com cerimônia na Praça Tiradentes
Cerimônia na Praça Tiradentes integra a programação da Semana da Pátria, que reúne atividades na sede e nos distritos entre os dias 2 e 7 de setembro

Ouro Preto celebra, nesta segunda-feira (7), os 204 anos da Independência do Brasil com ato cívico na Praça Tiradentes. O local, que concentra alguns dos principais símbolos políticos e históricos do município, volta a receber a programação da Semana da Pátria. Neste ano, o orador oficial da cerimônia será o ouro-pretano Paulo Pires, professor, engenheiro, ex-aluno da Escola de Minas e dirigente da Associação dos Antigos Alunos da Escola de Minas de Ouro Preto. A programação oficial da Semana da Pátria de 2026 ocorre entre os dias 2 e 7 de setembro, envolvendo escolas, distritos e a sede do município.
A data de 7 de setembro marca um dos momentos centrais do processo de separação política do Brasil de Portugal. Em 1822, durante viagem pela então província de São Paulo, o príncipe regente Dom Pedro recebeu correspondências relacionadas às decisões das Cortes portuguesas e às articulações políticas conduzidas no Rio de Janeiro por Maria Leopoldina e José Bonifácio. O episódio ocorrido às margens do riacho do Ipiranga tornou-se o marco oficial da Independência. A consolidação da separação, no entanto, foi um processo mais amplo, que não se limitou ao chamado “Grito do Ipiranga” e envolveu disputas políticas e conflitos em diferentes partes do território.
A própria transformação do 7 de Setembro em símbolo nacional ocorreu nos anos seguintes. Registros históricos da Câmara dos Deputados mostram que, em 5 de setembro de 1823, a Assembleia Constituinte aprovou proposta para declarar o dia 7 de setembro, aniversário da Independência, como dia de festa nacional.
A história de Ouro Preto se cruza diretamente com esse período. Na época da Independência, a cidade ainda se chamava Vila Rica e era a capital de Minas Gerais. Em 1823, poucos meses depois da separação de Portugal, recebeu de Dom Pedro I o título de Imperial Cidade e passou a ser oficialmente denominada Ouro Preto, permanecendo como capital da província e, posteriormente, do estado até 1897.
É também por essa trajetória que a Praça Tiradentes assume significado particular nas comemorações. O espaço foi estruturado durante o período colonial para funcionar como elo entre os antigos núcleos de Antônio Dias e Nossa Senhora do Pilar e tornou-se o principal espaço urbano de Vila Rica. Em suas extremidades estão dois edifícios diretamente ligados ao exercício do poder: o antigo Palácio dos Governadores, posteriormente ocupado pela Escola de Minas, e a antiga Casa de Câmara e Cadeia, onde hoje funciona o Museu da Inconfidência.
A praça carrega, inclusive, a Independência no próprio histórico de sua denominação. Antes de receber o nome atual, o espaço era conhecido como Praça da Independência. Após a Proclamação da República, decidiu-se erguer no local um monumento a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. A pedra fundamental foi lançada em 1892, no centenário da execução do inconfidente, e o monumento foi inaugurado em 1894. A partir daquele momento, o local passou a ser chamado de Praça Tiradentes.
A relação entre a praça e as cerimônias do 7 de Setembro permanece presente no calendário de Ouro Preto. Em 2023, a própria Prefeitura classificou o desfile da Independência como uma “grande tradição” do município e realizou a solenidade na Praça Tiradentes, com participação de escolas, fanfarras e forças de segurança. Em 2025, o local novamente recebeu o ponto principal da Semana da Pátria, reunindo estudantes, instituições, autoridades e moradores. Naquele ano, a vice-reitora da Universidade Federal de Ouro Preto, Roberta Fróes, foi a oradora oficial.
Em 2026, a função será exercida por Paulo Pires. A escolha também se relaciona a outro capítulo importante da história de Ouro Preto: os 150 anos da Escola de Minas, instituição fundada em 1876 sob a liderança do francês Claude-Henri Gorceix. Pires mantém ligação histórica com a instituição e com a associação de ex-alunos; registros da UFOP já o identificavam como dirigente da A³EM.
Assim, a cerimônia desta segunda-feira reúne diferentes períodos da história no mesmo cenário: a antiga Vila Rica que viveu os últimos anos do Brasil colonial, a cidade que recebeu de Dom Pedro I o título de Imperial Cidade de Ouro Preto após a Independência, a Praça da Independência que mais tarde se tornou Praça Tiradentes e a Escola de Minas, que completa um século e meio de trajetória em 2026. Mais do que cenário do ato cívico, a Praça Tiradentes permanece como um dos espaços onde a memória política e institucional de Ouro Preto continua sendo construída.
Bruna Truocchio é repórter da Rádio Itatiaia Ouro Preto e apresentadora do jornal local. Formada em Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá, tem pós-graduações em Filosofia e Marketing Digital.



