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Pesadelo na Cozinha? BH tem sete irregularidades por dia em bares e restaurantes

A fiscalização é feita pela Vigilância Sanitária a partir de duas formas: denúncias feitas pelo telefone 156, site ou aplicativo da prefeitura e por operações planejadas,

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Amazon Prime/ Reprodução

Só neste ano, Belo Horizonte registrou, em média, sete ocorrências de irregularidades por dia em restaurantes, bares e supermercados, como multas, apreensões e interdições. O número chama atenção em Belo Horizonte, cidade conhecida como a capital dos bares, que reúne 4.051 estabelecimentos do tipo — o equivalente a 174,9 para cada 100 mil habitantes, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Depois das imagens do reality show Pesadelo na Cozinha, mostrarem sujeira, presença de insetos, falhas estruturais, mau cheiro e até fiação exposta no Café Cultura Bar, no bairro Lourdes, na Região Centro-Sul da capital, ficou uma “pulga atrás da orelha” sobre a higiene dos locais onde as pessoas se alimentam.

As consequências da falta de higiene podem ser muito graves. No ano passado, uma padaria no bairro Serrano, na região da Pampulha, foi autuada após uma mulher de 78 anos morrer e outras três pessoas serem hospitalizadas depois de consumirem empadão contaminado com toxina botulínica.

Como a fiscalização chega no local?

A fiscalização é feita pela Vigilância Sanitária a partir de duas formas: denúncias feitas pelo telefone 156, site ou aplicativo da prefeitura e por operações planejadas, principalmente em períodos de maior movimento, como Carnaval e fim de ano.

De acordo com a prefeitura, há um acompanhamento frequente de locais considerados mais sensíveis para a saúde pública, como restaurantes, padarias e supermercados.

• Amazon Prime/ Reprodução
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O Café Cultura já havia sido fiscalizado em 2025. Em fevereiro, recebeu auto de infração por falta de identificação de alimentos, higiene inadequada, problemas na refrigeração e ausência de alvará sanitário.

Em outubro, após denúncia, ocorreu nova fiscalização, com apreensão de produtos deteriorados e aplicação de multa por falhas na limpeza e conservação. No dia 7 de abril, foi feita outra vistoria, com emissão de advertências para ajustes na limpeza em alguns pontos e lavratura de termo de intimação para correção de fiação exposta durante a manutenção.

Assim como no estabelecimento da Rua da Bahia, segundo a prefeitura, os principais problemas encontrados são falta de higiene, armazenamento inadequado de alimentos, produtos vencidos, ausência de data de preparo, equipamentos em mau funcionamento e irregularidades no licenciamento ou na venda de produtos.

Sobe número de atuações

Segundo a Prefeitura, neste ano foram realizados, em média, sete atos fiscais por dia (ações realizadas pelos agentes como, por exemplo, os documentos lavrados, as apreensões, as interdições e os registros de não conformidade). De 1º de janeiro a 6 de abril, foram 637 registros, com R$ 216,2 mil em multas e aproximadamente 1,8 tonelada de alimentos apreendidos.

No ano passado, a fiscalização na área de alimentos registrou 1.922 ações, que resultaram em R$ 546,7 mil em multas e na apreensão de cerca de 40 toneladas de produtos.

"Nos casos de denúncia, são realizadas novas inspeções até a regularização da situação. Quando há interdição, ela não é definitiva, uma vez que o estabelecimento pode solicitar a reabertura após corrigir todas as não conformidades, sendo necessária nova avaliação da equipe", explicou.

 

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Papel da população

O cidadão também tem papel fundamental nesse processo. Ao desconfiar da procedência ou da qualidade de alimentos, a orientação é não consumir o produto e registrar denúncia junto à Prefeitura, informando o máximo de detalhes possível.

"Em casos de suspeita de doença transmitida por alimentos, é importante, sempre que possível, preservar uma amostra do que foi consumido para auxiliar na investigação", disse.

  • Telefone: ligue para o 156
  • Internet: acesse o Portal de Serviços da prefeitura
  • Aplicativo: use o app BH Resolve
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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.