Operação Refúgio Seguro prende seis suspeitos e investiga abusos em clínicas clandestinas
Polícia Civil identificou vítimas de abuso sexual e apura denúncias de tortura, agressões, uso irregular de medicamentos e outras violações em clínicas de recuperação de Montes Claros

Seis pessoas foram presas, sendo quatro mulheres e dois homens e dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos durante a Operação Refúgio Seguro, deflagrada nessa terça-feira (22), pela Polícia Civl, em Montes Claros, no Norte de Minas. A ação é um desdobramento da Operação Amparo, realizada em agosto deste ano, que investiga uma série de crimes cometidos em clínicas clandestinas de recuperação.
Segundo a Polícia Civil, entre os presos está o proprietário apontado como principal alvo das investigações. A apuração identificou, até o momento, pelo menos dez vítimas de abuso sexual dentro das clínicas. A investigação também apura denúncias de agressões físicas, tortura, castigos cruéis, uso irregular de medicamentos e outras violações.
De acordo com a Polícia Civil, entre os detidos está o proprietário das instituições, apontado como o principal alvo do esquema. As investigações já identificaram ao menos dez vítimas de abuso sexual e apuram, ainda, denúncias de tortura, agressões físicas, castigos cruéis e administração irregular de medicamentos.
De acordo com a delegada Karine Maia, da Delegacia da Mulher de Montes Claros, as investigações começaram há cerca de três anos e foram dificultadas pela mudança constante dos locais onde as clínicas funcionavam.
“Ele destituía uma clínica, fechava uma clínica quando ela era interditada e abria em outro lugar. Lugares afastados, lugares em zonas rurais, que ficava difícil da gente detectar. E aí essa investigação, portanto, durou quase três anos, justamente por causa dessa dificuldade”, informou.
Segundo a delegada, foram identificadas seis clínicas relacionadas ao grupo investigado. Algumas funcionavam inicialmente de maneira regular, mas, conforme as autoridades começaram a encontrar irregularidades, os estabelecimentos eram fechados e outros eram abertos em novos endereços, em alguns casos com mudanças de nomes e responsáveis formais.
Ainda conforme as investigações, quando uma clínica era alvo de fiscalização ou interdição, as internas eram retiradas do local e levadas para outros estabelecimentos. Em alguns casos, esse deslocamento teria ocorrido por áreas de mata e locais afastados, sem qualquer estrutura adequada para receber as pacientes. A situação seria ainda mais grave para internas idosas e debilitadas, que precisavam ser transferidas nessas condições.
A Polícia Civil afirma que havia pacientes adultos e adolescentes nas instituições. Em uma das fiscalizações realizadas durante a investigação, duas adolescentes teriam sido encontradas em situação considerada irregular e foram encaminhadas ao Conselho Tutelar.
Ainda segundo Karine Maia, os investigadores apuram denúncias de que mulheres e adolescentes teriam sido vítimas de violência sexual mediante ameaças, chantagens e outras formas de coerção.
“Nós já conseguimos nomear no mínimo umas 30, 40 vítimas de abuso sexual, umas dez vítimas. E elas eram sempre ameaçadas que caso elas falassem alguma coisa elas iam ser agredidas posteriormente”, esclareceu.
A delegada também afirmou que a investigação ainda não foi concluída. As equipes trabalham na identificação individual das vítimas, na coleta de depoimentos e na reunião de provas para determinar todos os crimes que podem ter sido cometidos.
Entre as suspeitas investigadas estão crimes de tortura, crimes relacionados à saúde pública, administração irregular de medicamentos e crimes contra a dignidade sexual. A Polícia Civil também apura duas mortes ocorridas dentro das instituições que, segundo a delegada, precisam ser esclarecidas.
Os seis investigados cumprem prisão temporária de 30 dias, prazo que pode ser prorrogado ou convertido em prisão preventiva no decorrer do processo. As equipes policiais seguem em diligências para colher depoimentos de outras testemunhas e identificar novas vítimas.
Formada em Jornalismo pela Funorte, Janaina Sacerdote é repórter multimídia da Rádio Itatiaia em Montes Claros. Antes, passou por Fundação Fé e Alegria Montes Claros e Rádio Educadora /Pop 95Fm.
Estagiário do jornalismo da Itatiaia. Estudante pelo centro universitário de Belo Horizonte (UniBH)



