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O que a psicologia diz sobre pais que preferem consertar objetos em vez de comprar novos?

Hábito comum pode estar ligado à identidade, às memórias e à forma como algumas pessoas demonstram cuidado com a família

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pais e filhos
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É comum encontrar pais que preferem consertar um eletrodoméstico quebrado, uma cadeira antiga ou um controle remoto com defeito em vez de substituí-los por novos. Para muitos filhos, esse comportamento pode parecer apenas uma tentativa de economizar dinheiro. No entanto, segundo teorias da psicologia, esse hábito pode estar relacionado à identidade, às experiências de vida e até à maneira como algumas pessoas demonstram afeto.

Especialistas apontam que, para muitos homens, reparar objetos representa mais do que uma tarefa doméstica. A atividade reforça a sensação de utilidade e de capacidade para resolver problemas, características que muitas pessoas associam ao papel que desempenham dentro da família.

Por que alguns pais gostam de consertar tudo?

Uma das explicações vem da Teoria da Identidade, que sugere que as pessoas constroem a percepção sobre si mesmas a partir dos papéis que consideram importantes.

Nesse contexto, muitos pais relacionam sua identidade à capacidade de proteger a família, solucionar problemas e contribuir para o bem-estar de quem está ao redor. Assim, cada reparo funciona como uma forma de reafirmar esse papel.

O que diz a Teoria da Autodeterminação?

Outra explicação é apresentada pela Teoria da Autodeterminação, desenvolvida pelos psicólogos Edward Deci e Richard Ryan.

Segundo essa abordagem, as pessoas tendem a experimentar maior sensação de bem-estar quando conseguem satisfazer três necessidades básicas: competência, autonomia e relacionamento.

Consertar um objeto reúne esses três elementos ao permitir que a pessoa utilize suas habilidades, resolva um problema por conta própria e ainda ajude alguém da família.

As experiências de vida também influenciam?

Sim. A forma como muitas pessoas foram criadas também ajuda a explicar esse comportamento.

Pais que cresceram em períodos de maior escassez costumam ter aprendido que objetos devem ser preservados sempre que possível. Expressões como "se ainda funciona, não jogue fora" ou "cuide bem do que você tem" fizeram parte da educação de muitas gerações.

Por isso, mesmo quando possuem condições financeiras para comprar um item novo, muitos preferem recuperar aquilo que já têm.

Por que alguns objetos têm tanto valor?

Outra teoria citada por especialistas é o chamado Efeito Dotação, desenvolvido pelos pesquisadores Daniel Kahneman, Jack Knetsch e Richard Thaler.

Segundo esse conceito, as pessoas tendem a atribuir mais valor aos objetos que já possuem do que a itens semelhantes disponíveis para compra.

Uma cadeira pode guardar lembranças de encontros em família. Um relógio antigo pode representar a memória de um parente. Uma caixa de ferramentas pode simbolizar anos de trabalho.

Nesses casos, consertar um objeto significa preservar também parte da história da família.

Consertar objetos pode ser uma forma de demonstrar carinho?

A chamada Teoria do Apoio Instrumental sugere que algumas pessoas expressam afeto por meio de ações práticas, e não necessariamente com palavras.

Assim, trocar uma lâmpada, arrumar uma bicicleta ou reparar um móvel pode representar uma maneira silenciosa de cuidar das pessoas próximas.

A atividade também ajuda a aliviar o estresse?

Segundo a Teoria do Fluxo, proposta pelo psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, atividades que exigem concentração e envolvimento total podem proporcionar sensação de bem-estar.

Consertar um objeto costuma exigir atenção, coordenação, raciocínio e resolução de problemas, fatores que podem transformar a tarefa em um momento de relaxamento e redução do estresse.

Para especialistas, em uma época marcada pelo consumo e pela substituição rápida de produtos, o hábito de reparar objetos nem sempre está ligado à economia. Em muitos casos, ele representa uma forma de preservar memórias, manter um senso de propósito e demonstrar cuidado com a família por meio de atitudes do dia a dia.

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