Velório de Pepe Mujica começa com cortejo fúnebre no Uruguai; fotos
O cortejo passou por diversos locais da capital uruguaia, incluindo pela sede do Movimento de Participação Popular (MPP), que o ex-presidente fundou

O corpo do ex-presidente do Uruguai José 'Pepe' Mujica começou a ser velado na manhã desta quarta-feira (14), em Montevidéu. Ícone da esquerda, ele morreu nesta terça (13), aos 89 anos, vítima de câncer.
O velório começou com um cortejo fúnebre pelas ruas da capital do Uruguai, saindo da Praça da Independência e passando por diversos pontos. O desfile passou pela sede do Movimento de Participação Popular (MPP), que o ex-presidente fundou.
De guerrilheiro a presidente
José Alberto Mujica Cordano nasceu no Uruguai em 20 de maio de 1935. Era filho de pequenos agricultores e cresceu no bairro Paso de la Arena, em Montevidéu.
Em 1956, aos 21 anos, começou a participar da militância política do Partido Nacional, chegando a ocupar o cargo de secretário. Nos anos 60, ele participou ativamente da militância de guerrilha, especificamente do Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros (MLN-T), um grupo de esquerda que lutava contra a desigualdade social no Uruguai.
Durante o governo de Jorge Pacheco Areco, com a crescente da violência, Mujica chegou a participar de conflitos armados e foi preso quatro vezes. Com a restauração do sistema democrático, Mujica saiu da prisão pela lei que decretou a anistia de presos políticos. Alguns anos depois, ele criou, junto membros do MLN-T e outros partidos de esquerda, o Movimento de Participação Popular (MPP).
Nas eleições de 1994, ele foi eleito deputado. Em 1999, foi eleito senador. Em 2005, aos 70 anos, foi ministro da Agricultura no governo de Tabaré Vásquez. Em 2008, abandonou o cargo para ser pré-candidato à presidência da República. Em 2009, disputou as eleições uruguaias ao lado de Danilo Astori, seu vice-presidente. Ele foi para o segundo turno com 47,96% dos votos e se elegeu presidente em cima de Luís Alberto Lacalle, do Partido Nacional, com 52,60%.
Durante seu mandato, Mujica se recusou a morar no palácio presidencial, e continuou vivendo em um sítio, na periferia da capital uruguaia.
Ações
O mandato de Mujica, como presidente, foi voltado para pautas sociais. Ao assumir a presidência, ele definiu como prioridade temas como educação, segurança, meio ambiente e redução da pobreza e da miséria.
Em 2012, aprovou a lei de descriminalização do aborto e aprovou a lei do matrimônio igualitário que também permitiu a adoção de casais homoafetivos em 2014.
Outra pauta levantada e aprovada durante a gestão foi a legalização da maconha, com o Estado fiscalizando a produção, a distribuição e a venda.
Câncer
O ícone da esquerda latino-americana lutava contra um câncer de esôfago, que acabou se espalhando para todo o corpo. Em janeiro, ele havia revelado que não trataria a doença.
"Não consigo impedir isso com nada. Por quê? Porque sou uma pessoa idosa e tenho duas doenças crônicas. Não posso passar por tratamento bioquímico ou cirurgia porque meu corpo não aguenta", declarou.
Já nesta semana, a esposa dele, Lucía Topolansky afirmou que o político estava em estado terminal e passava por cuidados paliativos em casa. A morte foi comunicada pelo presidente do Uruguai, Yamandú Orsi.
Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.








