Tensão aumenta no Estreito de Ormuz após novo ataque dos EUA
A escalada ocorre em meio às tentativas de negociação por um acordo de paz entre os dois países, ainda sem avanço definitivo

Os Estados Unidos confirmaram novos ataques militares contra instalações iranianas durante a noite desta quarta-feira (27), ampliando a tensão no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.
Segundo autoridades americanas ouvidas pela agência Reuters sob condição de anonimato, os alvos incluíam uma instalação militar iraniana considerada ameaça às forças dos EUA e à navegação comercial na região. Os militares americanos também afirmaram ter interceptado e derrubado drones iranianos que representavam risco ao tráfego marítimo.
A escalada ocorre em meio às tentativas de negociação por um acordo de paz entre os dois países, ainda sem avanço definitivo.
A agência semioficial iraniana Fars informou que três explosões foram registradas na cidade portuária de Bandar Abbas, localizada próxima ao Estreito de Ormuz. Sistemas de defesa aérea chegaram a ser acionados brevemente, segundo a imprensa estatal iraniana.
As autoridades locais afirmaram que as causas das explosões seguem sob investigação.
Mais tarde, a mídia estatal iraniana informou que embarcações que tentaram atravessar o estreito sem coordenação com forças de segurança do país foram advertidas com disparos e obrigadas a retornar.
A agência Tasnim afirmou que a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disparou contra um petroleiro americano, forçando a embarcação a recuar. Ainda segundo a publicação, os Estados Unidos responderam com tiros contra uma área deserta próxima a Bandar Abbas.
Um oficial americano afirmou à CNN que forças dos EUA atingiram uma estação iraniana de controle de drones em Bandar Abbas e derrubaram quatro drones iranianos considerados ameaça às tropas americanas e ao tráfego marítimo na região.
Já a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter atacado uma base aérea americana que, segundo os iranianos, teria sido usada como ponto de origem das ofensivas dos EUA contra alvos iranianos. O local da base não foi informado.
Os Estados Unidos mantêm bases militares em diferentes países do Oriente Médio.
Na segunda-feira (25), militares americanos já haviam realizado ataques classificados pelo governo como “defensivos” contra embarcações iranianas e locais de lançamento de mísseis próximos ao Estreito de Ormuz.
Pressão política sobre Trump
Em meio ao aumento das tensões, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (27) que não está preocupado com possíveis impactos políticos de um conflito prolongado com o Irã.
Durante reunião de gabinete na Casa Branca, Trump disse que o governo iraniano acreditava que poderia pressioná-lo politicamente ao prolongar o conflito até as eleições legislativas americanas de novembro.
“Eles achavam que iriam me vencer pelo cansaço. ‘Vamos cansá-lo. Ele tem as eleições de meio de mandato’. Eu não me importo com as eleições de meio de mandato”, declarou.
As declarações ocorreram enquanto negociações mediadas pelo Paquistão tentam transformar o atual cessar-fogo em um acordo mais amplo de paz entre os dois países.
Apesar das conversas diplomáticas, republicanos têm pressionado Trump diante da duração do conflito e dos impactos econômicos da guerra, especialmente sobre os preços dos combustíveis nos Estados Unidos.
No início da guerra, iniciada no fim de fevereiro, Trump chegou a afirmar que o conflito poderia durar entre quatro e seis semanas. Em outros momentos, o presidente sugeriu que a guerra terminaria em poucos dias.
*Com CNN
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.
