Rússia recomenda enviar psicólogos a mulheres que não querem ser mães
Com menor taxa de natalidade dos últimos 200 anos, país endureceu leis contra o aborto e se preocupa com envelhecimento

A Rússia quer que mulheres que não desejam ter filhos sejam encaminhadas a psicólogos para tentar convencê-las a mudar de ideia, segundo uma nova diretriz destinada a combater a crise demográfica do país.
A acentuada queda na taxa de natalidade da Rússia tem sido uma das principais preocupações do presidente Vladimir Putin desde que chegou ao poder, há 25 anos.
Para o Kremlin, o encolhimento da população russa é apresentado como uma questão de sobrevivência nacional. Em 2024, o governo já havia alertado que a Rússia enfrentaria a "extinção" se sua taxa de natalidade não aumentasse.
No final de 2025, durante a avaliação do ano no país, Putin fez apontamentos em relação à taxa de nascimentos no país. "Começarei com a demografia. O objetivo era superar as tendências demográficas negativas e aumentar as taxas de natalidade", declarou.
“Obviamente, as medidas já tomadas em matéria de desenvolvimento demográfico são insuficientes. Infelizmente, as tendências negativas persistem e as taxas de natalidade continuam a diminuir”, lamentou o presidente.
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“Certamente, os desafios externos também afetam a demografia. Ao mesmo tempo, gostaria de enfatizar mais uma vez: nossa tarefa histórica de longo prazo é salvaguardar e aumentar nossa população e, apesar da situação atual, apesar das dificuldades objetivas, devemos permanecer fiéis a esse objetivo”, concluiu.O Ministério da Saúde russo agora recomenda que os médicos encaminhem mulheres que não desejam ter filhos "para uma consulta com um psicólogo, com o objetivo de fomentar uma atitude positiva em relação à maternidade", de acordo com um documento visto pela Agência France-Presse nesta quinta-feira (19).
Essas recomendações foram aprovadas no final de fevereiro, mas foram divulgadas esta semana pela imprensa local. Segundo o documento, os médicos devem convidar mulheres entre 18 e 49 anos para exames médicos anuais para "avaliar sua saúde reprodutiva".
As indicações também incluem exames semelhantes para homens da mesma idade, mas exclusivamente para avaliar sua saúde física, sem envolver psicólogos.
Frente à atual situação de natalidade do país, uma série de benefícios foi ofertada às famílias russas, entre eles:
- Apoio financeiro: As famílias recebem uma quantia substancial em dinheiro após o nascimento ou adoção de um segundo filho ou mais. Em fevereiro de 2025, esse valor foi fixado em 676.300 rublos.
- Flexibilidade de utilização dos recursos: Os fundos podem ser utilizados para diversos fins, incluindo a melhoria das condições de habitação, o financiamento da educação dos filhos, a contribuição para a pensão da mãe e o apoio à adaptação de crianças com deficiência.
- Ajuste pela inflação: O montante do capital materno é indexado anualmente à inflação, garantindo que seu valor permaneça relevante ao longo do tempo.
- Apoio Regional: Além do capital federal para a maternidade, algumas regiões oferecem apoio adicional, aumentando os benefícios gerais para as famílias.
A taxa de natalidade do país é a mais baixa dos últimos 200 anos, em torno de 1,4 filho por mulher, bem abaixo do limite de 2,1 que os demógrafos consideram necessário para estabilizar a população. Nos últimos anos, o país endureceu as leis sobre o aborto.
*Com informações da AFP
(Sob supervisão de Lucas Borges)
Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.



