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Região atingida por enchente na fronteira entre Nepal e Tibete é rota turística

Tragédia registra ao menos 403 pessoas desaparecidas, sendo 341 estrangeiros; um dos distritos mais atingidos foi Rasuwa, no Norte do Nepal, próximo à fronteira com o Tibete

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Uma casa aparece soterrada por lama após enchentes repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal, em 26 de agosto de 2026
Uma casa aparece soterrada por lama após enchentes repentinas em Devghat, no distrito de Nuwakot, no Nepal, em 26 de agosto de 2026 • Prabin RANABHAT / AFP

A enchente que devastou a fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, nesta quarta-feira (26), deixou ao menos 403 pessoas desaparecidas, incluindo 341 estrangeiros. Autoridades locais contabilizam 160 mortes. A presença de tantos turistas na região acontece por, especialmente, dois fatores: rota para o Monte Kailash, no Tibete, e paisagens no Himalaia.

Um dos distritos mais atingidos pela tragédia foi Rasuwa, no Norte do Nepal, próximo à fronteira com o Tibete. A expectativa é que o número de mortos aumente à medida que as águas baixarem e a real extensão dos danos for revelada.

Monte Kailash

Monte Kailash, no Tibete • Wikimedia Commons
Monte Kailash, no Tibete • Wikimedia Commons

O Monte Kailash, localizado no Tibete, é considerado sagrado por religiões com o hinduísmo. Anualmente, milhares de peregrinos viajam até a região para visitar a montanha e uma das formas de chegar do local é pelo Nepal.

Rota da peregrinação:

  • Circuito de 52 km ao redor da base da montanha, geralmente concluído em 3 dias de caminhada.
  • O ponto crítico é o passo de montanha Dolma La, localizado a 5.630 metros de altitude, onde peregrinos deixam bandeiras de oração e oferendas.
  • Hindus, budistas e jainistas realizam o trajeto no sentido horário. Praticantes da tradição Bön percorrem no sentido anti-horário.
  • Normalmente, as peregrinações são feitas entre os meses de maio e outubro.

Paisagens do Himalaia

Langtang Lirung no Nepal • Wikimedia Commons
Langtang Lirung no Nepal • Wikimedia Commons

O distrito de Rasuwa, situado ao norte de Katmandu, na fronteira do Nepal com o Tibete, é uma das regiões mais espetaculares e autênticas para apreciar as paisagens do Himalaia. Combinando vales glaciares, picos de mais de 7 mil metros, lagos sagrados e a rica cultura do povo Tamang, o turismo na região atrai praticantes de trekking e apreciadores da natureza em busca de rotas menos congestionadas do que as de Annapurna ou Everest.

Entre os detaques é o Parque Nacional Langtang, a primeira área ambiental protegida do Himalaia estabelecida no Nepal e abrange a maior parte do território de turismo de Rasuwa. O parque protege ecossistemas frágeis de montanha e paisagens dramáticas esculpidas por geleiras.

Outra atração é a rota Langtang Valley Trek, que atravessa o famoso "Vale dos Vales", proporcionando uma caminhada cercada por grandes paredões de rocha e geleiras cênicas. A trilha acompanha o curso do rio Langtang Khola até os altos prados das montanhas.

O que se sabe sobre a tragédia

  • O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou um tremor na região às 8h37 no horário local, classificando-o como um terremoto de magnitude 4,4 na fronteira ao norte de Catmandu. Quase simultaneamente, uma avalanche de gelo e rochas — descrita mais como um deslizamento de terra — desceu uma encosta e atingiu o rio Lhende Khola, afluente do rio Bhote Koshi, que flui da China para o Nepal.
  • Em seguida, o SGS esclareceu que o tremor não foi um terremoto, mas sim provocado por esse deslizamento de terra de intensidade excepcional, que registrou uma força equivalente a um terremoto de magnitude 5,2. Portanto, não foi o terremoto que causou o deslizamento, mas, sim, o contrário.
  • Vídeos divulgados mostram a vasta destruição causada pela força das águas que desceram das montanhas. Uma importante passagem de fronteira terrestre entre a China e o Nepal foi completamente destruída em menos de um minuto, com o deslizamento de terra soterrando pessoas que tentavam fugir.
  • Imagens registram águas de enchentes torrenciais passando por Bidur — cidade a cerca de 50 quilômetros a noroeste de Catmandu, capital do Nepal —, rompendo margens de rios, provocando o desabamento de edifícios de vários andares e levando uma ponte.
  • Até o momento, foram registradas 160 mortes. Além dos mortos, quase 400 viajantes, incluindo centenas de cidadãos estrangeiros, foram dados como desaparecidos no Nepal, segundo o órgão de turismo do país.
  • Equipes de resgate enfrentam dificuldades para pousar em áreas afetadas devido ao alto nível das águas, disseram autoridades nepalesas à agência Reuters.
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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