Região atingida por enchente na fronteira entre Nepal e Tibete é rota turística
Tragédia registra ao menos 403 pessoas desaparecidas, sendo 341 estrangeiros; um dos distritos mais atingidos foi Rasuwa, no Norte do Nepal, próximo à fronteira com o Tibete

A enchente que devastou a fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, nesta quarta-feira (26), deixou ao menos 403 pessoas desaparecidas, incluindo 341 estrangeiros. Autoridades locais contabilizam 160 mortes. A presença de tantos turistas na região acontece por, especialmente, dois fatores: rota para o Monte Kailash, no Tibete, e paisagens no Himalaia.
Um dos distritos mais atingidos pela tragédia foi Rasuwa, no Norte do Nepal, próximo à fronteira com o Tibete. A expectativa é que o número de mortos aumente à medida que as águas baixarem e a real extensão dos danos for revelada.
Monte Kailash

O Monte Kailash, localizado no Tibete, é considerado sagrado por religiões com o hinduísmo. Anualmente, milhares de peregrinos viajam até a região para visitar a montanha e uma das formas de chegar do local é pelo Nepal.
Rota da peregrinação:
- Circuito de 52 km ao redor da base da montanha, geralmente concluído em 3 dias de caminhada.
- O ponto crítico é o passo de montanha Dolma La, localizado a 5.630 metros de altitude, onde peregrinos deixam bandeiras de oração e oferendas.
- Hindus, budistas e jainistas realizam o trajeto no sentido horário. Praticantes da tradição Bön percorrem no sentido anti-horário.
- Normalmente, as peregrinações são feitas entre os meses de maio e outubro.
Paisagens do Himalaia

O distrito de Rasuwa, situado ao norte de Katmandu, na fronteira do Nepal com o Tibete, é uma das regiões mais espetaculares e autênticas para apreciar as paisagens do Himalaia. Combinando vales glaciares, picos de mais de 7 mil metros, lagos sagrados e a rica cultura do povo Tamang, o turismo na região atrai praticantes de trekking e apreciadores da natureza em busca de rotas menos congestionadas do que as de Annapurna ou Everest.
Entre os detaques é o Parque Nacional Langtang, a primeira área ambiental protegida do Himalaia estabelecida no Nepal e abrange a maior parte do território de turismo de Rasuwa. O parque protege ecossistemas frágeis de montanha e paisagens dramáticas esculpidas por geleiras.
Outra atração é a rota Langtang Valley Trek, que atravessa o famoso "Vale dos Vales", proporcionando uma caminhada cercada por grandes paredões de rocha e geleiras cênicas. A trilha acompanha o curso do rio Langtang Khola até os altos prados das montanhas.
O que se sabe sobre a tragédia
- O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou um tremor na região às 8h37 no horário local, classificando-o como um terremoto de magnitude 4,4 na fronteira ao norte de Catmandu. Quase simultaneamente, uma avalanche de gelo e rochas — descrita mais como um deslizamento de terra — desceu uma encosta e atingiu o rio Lhende Khola, afluente do rio Bhote Koshi, que flui da China para o Nepal.
- Em seguida, o SGS esclareceu que o tremor não foi um terremoto, mas sim provocado por esse deslizamento de terra de intensidade excepcional, que registrou uma força equivalente a um terremoto de magnitude 5,2. Portanto, não foi o terremoto que causou o deslizamento, mas, sim, o contrário.
- Vídeos divulgados mostram a vasta destruição causada pela força das águas que desceram das montanhas. Uma importante passagem de fronteira terrestre entre a China e o Nepal foi completamente destruída em menos de um minuto, com o deslizamento de terra soterrando pessoas que tentavam fugir.
- Imagens registram águas de enchentes torrenciais passando por Bidur — cidade a cerca de 50 quilômetros a noroeste de Catmandu, capital do Nepal —, rompendo margens de rios, provocando o desabamento de edifícios de vários andares e levando uma ponte.
- Até o momento, foram registradas 160 mortes. Além dos mortos, quase 400 viajantes, incluindo centenas de cidadãos estrangeiros, foram dados como desaparecidos no Nepal, segundo o órgão de turismo do país.
- Equipes de resgate enfrentam dificuldades para pousar em áreas afetadas devido ao alto nível das águas, disseram autoridades nepalesas à agência Reuters.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.







