Enchente no Nepal: situação se assemelha ao rompimento de barragens no Brasil, diz especialista
Tragédia deixou centenas de mortos e feridos

A situação do Nepal após a enchente devastadora que deixou centenas de mortos e desaparecidos se assemelha à situação de Mariana e Brumadinho após os rompimentos das barragens em 2015 e 2019, respectivamente, afirmou o professor de Geografia Vitor Augusto Ferreira, do curso de Ciências Humanas do Terra Negra, plataforma de estudos on-line.
Em entrevista à Itatiaia, o professor afirmou que a semelhança é na existência de um "luto sem corpo".
"Nós temos quase 100 mortos confirmados até o momento, são centenas de desaparecidos e, principalmente, voltando para a geografia, que a gente consegue trazer um contexto social, religioso, econômico dessas regiões, em um contexto hindu e budista, em que o rito funerário é extremamente importante para essas populações, e isso produz um tipo de dano, uma impossibilidade de luto, um efeito social muito triste", explicou.
"Bem como nós aqui no Brasil, a maior parte da população é cristã e também ficou muito sentida de diversas famílias não poderem enterrar os seus entes. E, nesse caso, nessa região, a gente tem também uma impossibilidade; praticamente, vai ser muito difícil que a gente encontre todos esses corpos confirmados até então, infelizmente", acrescentou.
Entre as principais dificuldades de resgate, estão a geografia instável e muito movimentada da Cordilheira do Himalaia, além de vias logísticas bloqueadas pelas inundações.
Consequências
Os resultados após a tragédia serão também semelhantes a um desastre ocorrido no Brasil: as chuvas no Rio Grande do Sul.
"Nós temos, primeiro, o deslocamento forçado dessa população, são deslocados internos em função de questões ambientais. Além disso, os abrigos começam a ser improvisados, já que primeiro nós não temos uma condição socioeconômica muito favorável para esse país criar condições estruturais mais qualificadas para a população", apontou.
"Nós temos riscos de água contaminada, risco de veiculação de doenças, risco da insuficiência hídrica, do acesso da população à água também, já que essa água não vai ficar disponível para o consumo, uma vez que é uma água que agora está muito contaminada", acrescentou.
A perda da mão de obra em vilas do local e perda de segurança energética do Nepal também são algumas das consequências do desastre.
"Então, nós temos consequências muito graves, não só para a questão social, como também para a economia do Nepal", finalizou.
Assista à entrevista na íntegra:
Enchentes no Nepal
Um deslizamento de terra próximo à Ponte da Amizade, que liga Gyirong, no Tibete, a Rasuwagadhi, no Nepal, causou uma enchente devastadora que deixou dezenas de mortos no Nepal e ao menos três no Tibete.
O local fica em uma região da Cordilheira do Himalaia.
Os desaparecidos no Nepal são, em sua maioria, viajantes. São ao menos 291 estrangeiros de Austrália, Países Baixos, África do Sul, Reino Unido e Malásia e 93 cidadãos nepaleses entre os procurados.
A inundação atingiu uma região de ponto de partida de uma das principais rotas de trekking em Langtang. Viajantes que participam de peregrinações hindus até Kailash Mansarovar também costumam passar pelo local.
Imagens divulgadas pela estatal chinesa CCTV flagraram o exato momento em que a enchente atinge um prédio enquanto várias pessoas tentavam fugir. Um outro vídeo publicado pela polícia flagra resgates de vítimas ilhadas de helicóptero.
Operações de busca seguem em andamento.
Veja fotos da tragédia:
Kátia Pereira é jornalista formada pelo Uni-BH e tem especialização em História e Cultura Política pela UFMG. Está na Itatiaia desde 2002. Desde 2005 é titular do Jornal da Itatiaia 1ª Edição. Também apresenta o Jornal da Itatiaia Tarde, é editora e apresentadora do Palavra Aberta e apresenta conteúdo no canal da Itatiaia no Youtube. Recebeu o Troféu Mulher Imprensa na categoria Âncora de Rádio. Tem passagens por Record TV Minas, Super Notícias/O Tempo e assessoria na Assembleia Legislativa
Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.






























