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Presidente da Bolívia decreta estado de exceção após seis semanas de protestos

Medida tem validade de até 90 dias e autoriza restrições à circulação e reuniões; governo acusa apoiadores de Evo Morales de tentar desestabilizar o país

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Rodrigo Paz, presidente de Bolivia • Presidencia de la República del Ecuador, Public domain, via Wikimedia Commons

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, decretou neste sábado (20) estado de exceção em todo o país após mais de seis semanas de protestos e bloqueios de estradas promovidos por indígenas aimarás, agricultores e produtores de coca ligados ao ex-presidente Evo Morales. A medida prevê a mobilização das forças policiais e militares para restabelecer a circulação e garantir a segurança da população.

Em pronunciamento transmitido pelo canal estatal, Paz afirmou que a decisão foi tomada diante do que classificou como uma "tentativa de golpe de Estado vinda do narcoterrorismo". O governo acusa Evo Morales de incentivar as manifestações e de utilizar recursos do tráfico de drogas para financiar os atos, embora não tenha apresentado provas.

O decreto, publicado na Gazeta da Bolívia, terá duração máxima de 90 dias e ainda precisa ser ratificado pelo Congresso. O texto permite que os ministérios do Governo e da Defesa imponham restrições aos direitos de circulação, locomoção e reunião quando considerarem necessário.

A crise teve início em maio, quando sindicatos, agricultores e comunidades indígenas iniciaram greves e bloqueios para pressionar o governo a apresentar soluções para a grave crise econômica enfrentada pelo país, considerada a pior em quatro décadas. Os manifestantes também criticam a comercialização de combustíveis de baixa qualidade e, posteriormente, passaram a exigir a renúncia do presidente.

Nos últimos dias, os protestos se intensificaram e provocaram escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis em La Paz e em El Alto. Também foram registrados confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

Na sexta-feira (19), o governo havia anunciado um acordo com a Central Operária Boliviana (COB), principal entidade sindical do país, para encerrar as mobilizações. O líder da organização, Mario Argollo, declarou que as medidas de pressão seriam suspensas em nível nacional e afirmou que o governo se comprometeu a cumprir os pontos negociados.

No entanto, a Federação Túpac Katari e sindicatos de agricultores e cocaleiros rejeitaram o acordo e decidiram manter os bloqueios. O líder camponês Antonio Mallku afirmou que os manifestantes vão "radicalizar" os piquetes nas estradas. Já os produtores de coca classificaram o entendimento entre o governo e a COB como uma "traição".

Evo Morales, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019, está escondido na região do Chapare para evitar uma ordem de prisão relacionada a um caso de tráfico de menor de idade, acusação que nega. O ex-presidente também rejeita qualquer ligação com o narcotráfico.

*Com AFP NEWS

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.