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Petroleiras lucram US$ 3 mil por segundo em 2026 durante crise no Oriente Médio

Seis grandes empresas de combustíveis fósseis registram ganhos diários US$ 37 mi superiores a 2025, segundo pesquisa da Oxfam divulgada nesta quarta (29)

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Lucro de petroleiras atinge US$ 3 mil • Alexandre Brum/ Petrobras

Seis grandes empresas de combustíveis fósseis registram lucros de aproximadamente US$ 3 mil por segundo em 2026. Os dados são de pesquisa da Oxfam Internacional, organização sem fins lucrativos voltada ao combate à desigualdade socioeconômica. O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira 29 em meio à crise gerada pelo conflito no Oriente Médio.

A pesquisa mostra que essas companhias obtiveram ganhos diários US$ 37 milhões superiores aos registrados em 2025. A Oxfam Internacional aponta que o aumento nos lucros das empresas de combustíveis ocorre no mesmo período em que a crise no custo de vida atinge milhares de consumidores. A organização identifica uma relação entre os ganhos das petroleiras e o agravamento da desigualdade global.

A líder de políticas climáticas da Oxfam Internacional, Mariana Paoli, contextualiza a situação. "A guerra mostra como é clara e evidente a dependência que nós temos hoje dos combustíveis fósseis", afirma.

Paoli destaca que, "Enquanto essas empresas petroleiras estão lucrando cada vez mais, impulsionados pela guerra, a gente vê as famílias ao redor do mundo sendo empurradas à pobreza, um aumento da desigualdade, há uma estabilidade geopolítica grande, é um contraste muito grande a gente ter essa acentuação e concentração da riqueza em contraste com todos os outros eixos que são pessoas comuns que estão lutando para sobreviver".

No Brasil, o preço do petróleo afeta o cotidiano da população. O economista Paulo Pacheco explica que o barril de petróleo mantém-se em valores acima de US$ 100. "O preço do barril de petróleo está razoavelmente estável, mas ainda assim em valores muito altos, acima de 100 dólares. Afeta o Brasil, afeta a todos. Porque o petróleo tem tudo", diz.

Pacheco detalha como o petróleo influencia diversos setores da economia brasileira. "E, em último caso, tudo que existe transporte, tudo fica mais caro", afirma. O economista identifica energia e custo de transporte como as principais questões relacionadas ao petróleo no país.

"A questão central do petróleo no Brasil é principalmente a energia e o segundo, custo de transporte. Quando a energia sobe de preço, todos nós pagamos aumentos não só na nossa casa, diretamente ao fazermos a nossa comida, mas você imagina a padaria que está gastando mais. Então o impacto é sempre inflação. Inflação é o maior imposto sobre o pobre", explica Pacheco. "É perda de poder aquisitivo na veia. Amanhã o meu dinheiro vai valer menos", acrescenta.

Apesar de um alívio recente nas bombas, o preço dos combustíveis continua pesando no orçamento dos motoristas. O motorista de aplicativo Valdinei Bento de Faria relata as dificuldades. "Tá cada vez pior, né? Gente que depende de carro e moto pra trabalhar é... Cada dia que passa, mais difícil fica. Coloca na ponta da caneta, manutenção, combustível que mais gasta, né?", diz. "Pouco que sobra pra você levar pra dentro de casa, então fica muito complicado", completa Faria.

Carlos José dos Santos apresenta outra perspectiva sobre o impacto dos preços. "Eu, pra mim, vou ser bem sincero, pra mim, não influi muito não. A mais, no Brasil, qualquer coisinha é motivo pra aumentar as coisas, entende? Às vezes o preço a mais que você paga é um alimento a menos que você tem que levar pra casa", afirma.

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Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, trabalhou na produção de matérias para a rádio, na Central Itatiaia de Apuração e foi produtora do programa Itatiaia Patrulha. Atualmente, cobre factual e é repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.