Papa apela contra 'toda forma de abuso' na Igreja Católica
Leão XIV fez agradecimento a jornalistas que buscam a verdade

O papa Leão XIV fez um apelo neste sábado (21) contra toda forma de abuso, sexual, de poder e de consciência, na Igreja Católica, e agradeceu também o trabalho dos jornalistas.
O apelo foi feito em uma mensagem enviada ao Peru, por ocasião da peça teatral "Projeto Ugaz", dedicada à Paola Ugaz, jornalista conhecida por sua investigação sobre o movimento Sodalício, agora reprimido e, portanto, no centro de uma perseguição.
Inspirando-se na experiência de Ugaz, o Pontífice incentiva a liberdade de imprensa, porque "onde um jornalista é silenciado, a democracia se enfraquece", informou o Vaticano News.
"Consolidar em toda a Igreja uma cultura da prevenção que não tolere nenhuma forma de abuso: nem de poder ou de autoridade, nem de consciência ou de espiritualidade, nem de abuso sexual", afirma o Papa.
Em sua mensagem, lida no teatro pelo monsenhor Jordi Bertomeu, funcionário do Dicastério para a Doutrina da Fé e comissário apostólico no Peru para o caso Sodalício, Robert Prevost reitera os dois temas centrais de toda a peça: a luta contra os abusos e a importância do trabalho jornalístico realizado com verdade e liberdade.
O Pontífice também agradeceu "àqueles que idealizaram e realizaram o Projeto Ugaz, que não é apenas teatro, mas memória, denúncia e, sobretudo, um ato de justiça", dando "voz e rosto a uma dor silenciada por muito tempo".
Leão XIV destaca que, por meio dele, "as vítimas da falecida família espiritual do Sodalício e os jornalistas que as acompanharam - com coragem, paciência e fidelidade à verdade - iluminam o rosto ferido, mas cheio de esperança, da Igreja".
"A luta de vocês pela justiça é também a luta da Igreja, porque uma fé que não toca as feridas do corpo e da alma humana é uma fé que ainda não conheceu o Evangelho", afirmou.
O Santo Padre reforçou ainda que "essa ferida é reconhecida em tantas crianças, jovens e adultos que foram traídos onde buscavam conforto; e também naqueles que arriscaram sua liberdade e seu nome para que a verdade não fosse enterrada".
Além disso, o Papa demonstra gratidão àqueles que perseveraram nesta causa, "mesmo quando foram ignorados, desqualificados ou mesmo perseguidos judicialmente". Ele cita, nesse sentido, a Carta ao Povo de Deus de agosto de 2018, escrita pelo papa Francisco após a difícil viagem ao Chile e o encontro com as vítimas de abuso.
Por fim, o Prevost expressa seu mais profundo agradecimento à própria Paola "pela coragem que demonstrou ao se aproximar de Francisco em 10 de novembro de 2022 e pedir proteção contra os ataques injustos que ela e outros três jornalistas, Pedro Salinas, Daniel Yovera e Patricia Lachira, sofreram por terem denunciado os abusos cometidos por um grupo eclesial com sede em diferentes países, mas originário do Peru".


