Oriente Médio: Trump diz que Irã precisa 'começar a assinar documento' para acordo entre países
Presidente dos Estados Unidos afirmou que os países já negociaram cessar-fogo, mas Irã está 'protelando' assinar documento

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (10) que o Irã só precisa "começar a assinar um documento" para que os países cheguem a um acordo sobre o fim da guerra no Oriente Médio.
A declaração aconteceu no Salão Oval da Casa Branca. "Tudo o que eles precisam fazer é começar a assinar um documento. Está totalmente negociado", disse o republicano.
Donald Trump reiterou que os países possuem "um documento totalmente negociado", mas acusou o Irã de estar "protelando" a assinatura. "Eles estão protelando porque é um documento importante", acrescentou.
Trump promete novos ataques contra o Irã
O republicano, ainda nesta quarta (10), afirmou que o Exército estadunidense fará novos ataques contra o Irã. A ofensiva deve acontecer nas próximas horas, segundo ele, e é motivada pela derrubada do helicóptero Apache próximo ao Estreito de Ormuz, na segunda (8). Os EUA já realizaram uma ofensiva contra o país persa durante a tarde e noite de terça (9).
Na ocasião, Trump disse: "Vamos atacá-los, atacá-los com muita força. (...) Com base no helicóptero, acho que temos o direito de fazer isso". Questionado se esse movimento significa a retomada dos bombardeios no Irã, o presidente dos EUA afirmou que sim.
Washington lançou ataques contra o Irã durante a tarde e noite de terça (9), após a derrubada do helicóptero Apache. Um pouco mais cedo, Trump acusou o Irã de ter abatido a aeronave. Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), os ataques — classificados como uma ação de "autodefesa" — tiveram como alvo sistemas de radar e defesa aérea iranianos. Explosões foram registradas na província iraniana de Hormozgan, área estratégica próxima ao Estreito de Ormuz.
Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



