Oriente Médio: Reino Unido destaca 'necessidade urgente' de reabrir Estreito de Ormuz
Passagem marítima está praticamente fechada desde o início da guerra envolvendos os Estados Unidos, Israel e Irã

A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, destacou, nesta quinta-feira (2), a "necessidade urgente" de reabrir o Estreito de Ormuz. A declaração aconteceu em uma reunião virtual com representantes de mais de 40 países que se posicionaram dispostos a atuar para restaurar a segurança da via marítima — região é classificada como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
"Contamos com mais de 40 países para debater sobre o Estreito de Ormuz, as consequências do seu fechamento, a necessidade urgente de restabelecer a liberdade de navegação para o transporte marítimo internacional e a firmeza da nossa determinação de ver o estreito reaberto", declarou a chefe da diplomacia britânica, que presidiu a reunião.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse na quarta-feira (1º) que a reunião iria avaliar "todas as medidas diplomáticas e políticas viáveis" para "restabelecer a liberdade de navegação, garantir a segurança dos navios e dos marinheiros bloqueados e retomar a circulação de mercadorias vitais".
Contudo, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que uma operação militar como a que os Estados Unidos propuseram para "libertar" à força o Estreito de Ormuz seria "pouco realista".
"Há quem defenda a libertação do Estreito de Ormuz pela força por meio de uma operação militar, uma posição expressada em algumas ocasiões pelos Estados Unidos", disse Macron durante uma visita de Estado à Coreia do Sul. "Não é, em absoluto, a opção que contemplamos e consideramos que é pouco realista", acrescentou.
O que é o Estreito de Ormuz?
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo, que está praticamente paralisado pela guerra no Oriente Médio.
O conflito começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel começaram a bomberdear o Irã. O país persa, em represália, ataca bases militares norte-americanas na região, instalações israelenses e restringe o acesso ao Estreito de Ormuz. A via é o caminho de escoamento para 20% do Gás Natural Liquefeito (GNL) negociado no planeta. Além disso, cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto transitam, em condições normais, pela passagem diariamente
O fechamento do Estreito de Ormuz afeta diretamente a economia mundial, visto que a maioria do fluxo atual está impedida de transitar no local. Nos Estados Unidos, por exemplo, o preço da gasolina chegou a US$ 3,72 por galão, em média, de acordo com a Associação Automobilística Americana (em inglês: American Automobile Association). Este é o preço mais alto do combustível comum desde 7 de outubro de 2023.
Além do prejuízo econômico, o fechamento do Estreito de Ormuz trouxe consequências no transporte marítimo e ataques contra embarcações, com desaparecimentos, feridos e mortes.

Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (17). Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
*Com informações de AFP
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



