Operação militar na Venezuela: especialista revela possível posição do Brasil em evento da ONU

Segundo professor de Direito Internacional, postura do país deve ser contrária às operações militares no Caribe

Conselho de Segurança da ONU deve se reunir nesta segunda-feira (5)

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realizará nesta segunda-feira (5) uma reunião extraordinária para debater a operação militar realizada pelos Estados Unidos na Venezuela na madrugada desse sábado (3).

Segundo o Analista Internacional da CNN, Américo Martins, o Brasil deve ser um dos países a discursar durante o encontro, embora não tenha cadeira na comissão e por isso não vá fazer parte da votação.

Em sua fala, o representante do Brasil na ONU deve ser muito crítico às ações americanas, que “não tem nenhuma base no direito internacional e não teve autorização da ONU ou sequer do congresso americano”.

O país deve defender também a soberania de todos os países e o direito à autodeterminação, sem a tutela de outros estados sobre seu domínio, que é o entendimento sobre a postura dos EUA em relação à Venezuela ao tentar definir os rumos do país e o uso das reservas de petróleo e minérios presentes no território.

Embora a expectativa seja de uma anulação do resultado da reunião por parte dos Estados Unidos, Membro Permanente do Conselho, o Brasil entende que é fundamental a participação na reunião do órgão que é considerado o mais importante do direito internacional, principalmente na defesa do multilateralismo promovida pelo presidente Lula.

Tensão global

No sábado (3), em meio os ataques à Caracas, Katie Miller, esposa do chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, realizou uma publicação no X, antigo Twitter, com tom de provocação à Dinamarca. Na imagem publicada, o mapa da Groenlândia está com as cores dos EUA e a legenda “em breve”.

Como resposta, o embaixador dinamarquês em Washington, Jesper Møller Sørensen, pediu “respeito total” ao país, ressaltou a aliança entre os países e disse esperar “naturalmente, o pleno respeito à soberania dinamarquesa”.

Durante o último domingo (4), o presidente dos EUA, Donald Trump realizou ameaças ao presidente colombiano, Gustavo Petro, a quem chamou de “homem doente” e falou que uma intervenção militar na Colômbia “soa bem”.

Por meio de publicação feita no X, Petro pediu para Trump parar de o caluniar e completou: “não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que surgiu da luta armada e, depois, da luta pela paz do povo da Colômbia”.

Operações na Venezuela

O presidente Donald Trump confirmou a realização de uma operação que capturou o então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, a deputada federal Cilia Flores, após ataque à capital do país, Caracas, na madrugada do último sábado.

Foram registrados bombardeios em Caracas, além de ofensivas à base militar de Forte Tiuna, onde estava Maduro, a base aérea de La Carloto, o porto de La Guaira e o aeroporto de Higuerote.

O casal foi levado aos Estados Unidos para julgamento sobre uma possível “conspiração narcoterrorista”, além do transporte ilegal de cocaína e posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos.

*Sob supervisão de Aline Campolina

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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