O que você precisa saber sobre o segundo turno da eleição na Colômbia?
Colombianos vão às urnas neste domingo (21)

Colombianos vão às urnas neste domingo (21) para escolher o novo presidente do país. Entre as preocupações dos eleitores, estão segurança e economia. Confira tudo o que você precisa saber sobre o segundo turno da eleição presidencial na Colômbia:
Quem são os candidatos?
Abelardo De La Espriella
- O advogado de direita liderou o primeiro turno com 43,7% dos votos, após lançar sua campanha como independente, coletando assinaturas e capitalizando a frustração com os partidos tradicionais;
- O candidato busca conquistar eleitores que se opõem ao governo do atual presidente, Gustavo Petro. Ele tem 47 anos e gosta de falar firme, apela para o espetáculo e faz declarações categóricas e provocativas. O candidato se apresenta como um empresário de sucesso, amante do que chama de alta cultura e bom gosto;
- Apesar de cultivar uma postura de "outsider", ele conta com o apoio de importantes grupos políticos como Salvação Nacional, Creemos de Antioquia e a família Char de Barranquilla;
- Ele construiu uma campanha baseada em modelos como o de Nayib Bukele em El Salvador, com propostas de linha dura e uma abordagem tecnocrática para a economia;
- De la Espriella é criticado por sua falta de experiência política e por seu passado como advogado de figuras controversas. Durante a campanha, também demonstrou hostilidade contra jornalistas e foi acusado de comportamento misógino.
Iván Cepeda
- O senador governista, filho de um líder comunista assassinado, apareceu à frente em algumas pesquisas de opinião antes do primeiro turno, mas ficou em segundo lugar, com 40,9% dos votos;
- O candidato de esquerda, de 63 anos, tem um programa que enfatiza a continuidade da “paz total” – o modelo de negociação de Petro com grupos criminosos, fortemente criticado pelos opositores –, a reconciliação nacional e a defesa dos direitos humanos;
- Em seus discursos de campanha, Iván Cepeda propôs o fortalecimento da proteção dos direitos humanos contra a violência e a estigmatização;
- O candidato também planeja aprofundar reformas para reduzir a desigualdade e a pobreza, aumentando os impostos sobre os que ganham mais, doando 1 milhão de hectares às vítimas de conflitos e expandindo o apoio aos idosos, às famílias pobres e aos jovens.
Como funciona a votação?
As urnas serão abertas neste domingo às 8h da manhã, no horário local (10h, no horário de Brasília), e a votação vai até às 16h (18h, em Brasília), em todo o território nacional. Mais de 41,2 milhões de colombianos estão habilitados a votar na Colômbia e no exterior.
Será eleito o candidato que obtiver o maior número de votos, independentemente de ultrapassar ou não 50% do total. O vencedor deve tomar posse no dia 7 de agosto de 2026 e substituir Gustavo Petro.
O que está em jogo?
O eleito terá margem limitada para implementar sua agenda econômica diante de problemas fiscais crescentes e um Congresso dividido. A recuperação econômica da Colômbia pós-Covid tem dependido fortemente do consumo, do aumento dos salários e dos gastos públicos. O investimento privado continua fraco e os setores de petróleo e mineração perderam impulso.
A economia da Colômbia cresceu 2,6% no ano passado, ficando abaixo da média pré-pandêmica de 4%, segundo dados oficiais. Apesar de pequenos aumentos em 2024 e no ano passado, o investimento privado permanece abaixo dos níveis pré-Covid, após uma forte contração de 13,4% em 2023, o primeiro ano completo de Gustavo Petro no governo.
A dívida pública da Colômbia é de cerca de 60% do PIB. Analistas e agências de recomendação de risco afirmam que a fraca arrecadação do governo e os gastos elevados dificultarão o cumprimento da meta de déficit fiscal de 5,3% do PIB neste ano.
A segurança também é uma das preocupações para o próximo presidente. O eleito terá que enfrentar os desafios de segurança: recuperar o controle territorial dos grupos governamentais armados ilegais, ao mesmo tempo que trabalha para reduzir a violência e outros obstáculos da segurança pública, segundo analistas.
Petro vai reconhecer o resultado?
A Colômbia teve uma campanha marcada por acusações de suposta fraude feitas pelo próprio presidente da República e pelo aumento da desinformação nas redes sociais. Diante disso, o país enfrenta um de seus maiores desafios institucionais: o risco iminente de que os resultados eleitorais não sejam reconhecidos pelos atores políticos, o que abriria caminho para protestos e bloqueios após o segundo turno.
O presidente Gustavo Petro ainda não reconheceu os resultados do primeiro turno das eleições. O candidato de esquerda inicialmente apoiou as declarações de Petro sobre supostas irregularidades na apuração preliminar dos votos, mas posteriormente afirmou que não havia evidências de manipulação dos resultados.
Tanto os observadores internacionais quanto a Registradoria Nacional, órgão responsável por organizar e garantir a realização das eleições, concordaram que o processo foi transparente e que não houve indícios de fraude. As autoridades eleitorais garantiram a realização normal do segundo turno e alertaram os partidos políticos de que todas as garantias necessárias para a votação estão asseguradas, tanto no país quanto no exterior.
*Com informações da CNN
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