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Lojistas prometem boicote a produtos dos EUA em meio ao tarifaço de Trump

Comunidades com mais de 30 mil pessoas se organizam para compartilhar dicas de produtos locais e incentivar mercados não-americanos nas plataformas

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O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Republicano ainda disse que os imigrantes ilegais venezuelanos nos EUA estão sendo 'devolvidos rapidamente' • Isac Nóbrega/PR

Apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter suspendido temporariamente por 90 dias as tarifas adicionais sobre todos os países que foram taxados por seu governo, com exceção da China, consumidores de nações atingidas começam a se movimentar nas redes sociais para tentar boicotar produtos americanos.

No Facebook, grupos como o francês “Boycott USA: Achetez Français et Européen!”, “Boicote EUA: Comprem francês e europeu!”, que já tem mais de 30 mil membros, e os suecos “Bojkotta varor från USA" e "Boykot varer fra USA", “boicote aos produtos dos EUA”, já contam, juntos, com mais de 180 mil participantes.

No Reddit, conhecido portal de fóruns online, há grupos como “BoycottUnitedStates”, que reúne mais de 28 mil pessoas, com objetivo de discutir formas de burlar as taxações dos EUA e fortalecer mercados locais. “Deixe que o mundo livre se una. Vamos encontrar formas de nos ajudar, mesmo quando os Estados Unidos tentam nos dividir”, diz a descrição do grupo.

Nas comunidades, são compartilhadas mensagens contra o tarifaço do presidente americano, além de dicas de produtos locais dos países que haviam sido taxados por Donald Trump.

Na Alemanha, um pesquisa da empresa Cuvey chegou à conclusão de que 64% da população preferiria, neste momento, evitar comprar produtos americanos se possível. Companhias europeias também se articulam contra as medidas estadunidenses. O Salling Group, maior rede varejista da Dinamarca, prometeu indicar produtos europeus com uma estrela negra para ajudar consumidores a identificá-los.

O diretor executivo da empresa, Anders Hagh, informou, em publicação em seu perfil do LinkedIn, que a companhia não deixará de vender produtos americanos, mas que a nova etiqueta é um “serviço extra para consumidores que querem comprar artigos de marcas europeias”.

Tarifaço em pausa e reação chinesa

Em meio à pausa determinada por Trump para todos os países, com exceção da China, o país asiático anunciou, nesta sexta-feira (11), que aumentará as tarifas sobre os produtos americanos para 125%, aprofundando ainda mais a guerra comercial entre as duas maiores economias globais. A nova tarifa entrará em vigor no sábado (12).

"A imposição por parte dos Estados Unidos de tarifas anormalmente elevadas contra a China viola gravemente as normas comerciais internacionais, as leis econômicas básicas e o bom senso", afirmou a Comissão Tarifária do Conselho de Estado em um comunicado.

"Levando em consideração que neste nível de tarifas os produtos americanos exportados para a China já não têm mais nenhuma chance de serem aceitos no mercado, se Washington continuar aumentando suas tarifas, a China vai ignorar", acrescenta a nota.

Donald Trump anunciou, na quarta-feira, uma pausa de 90 dias nas tarifas que havia acabado de anunciar contra 60 parceiros comerciais, uma isenção que exclui a China.

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Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.