Muro na fronteira entre México e EUA deve ser finalizado até 2027, prevê governo Trump
Construção de barreiras físicas entre os países tiveram início ainda na década de 90; fronteira se estende por mais de 3 mil km

O governo dos Estados Unidos prevê concluir até o fim de 2027 a construção do muro na fronteira com o México, uma das principais promessas políticas do presidente Donald Trump desde sua primeira campanha à Casa Branca. A informação foi confirmada nesta terça-feira (9) pelo comissário da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), Rodney Scott. Segundo o dirigente, a barreira física deverá se estender de San Diego, na Califórnia, até o Golfo do México, cobrindo praticamente toda a extensão da fronteira terrestre entre os dois países, que ultrapassa 3,2 mil km. Algumas áreas específicas ficarão de fora do projeto por questões geográficas e ambientais.
“Os únicos lugares onde não estamos erguendo a muralha são aqueles em que decidimos conscientemente que não precisamos dela”, afirmou Scott durante um evento promovido pelo Centro de Estudos sobre Imigração (CIS). Entre os trechos excluídos estão regiões montanhosas e parques naturais considerados de difícil acesso, principalmente no estado do Novo México.
De acordo com o governo norte-americano, a obra está avançando em ritmo superior ao inicialmente previsto. Rodney Scott afirmou que cerca de 10 km de barreiras estão sendo construídos diariamente. Desde o início da atual gestão de Trump, aproximadamente 177 km de novas estruturas já teriam sido erguidos.
Além da construção física, o plano prevê uma segunda etapa voltada para tecnologia e monitoramento. Após a conclusão do muro principal, o governo pretende instalar câmeras, sensores e outros sistemas de vigilância eletrônica ao longo da fronteira. A expectativa é que essa fase seja finalizada até meados de 2028. O projeto ganhou novo impulso no início de 2025, quando foi aprovado um pacote de financiamento de aproximadamente US$ 46 bilhões, cerca de R$ 238 bilhões na cotação da época, destinado à ampliação das barreiras fronteiriças. O investimento permitiu acelerar as obras e ampliar a cobertura em áreas consideradas estratégicas pelas autoridades.
Controle migratório e combate ao tráfico
O muro tem como principal objetivo reduzir a entrada irregular de migrantes vindos do México e outros países da América Latina nos Estados Unidos e dificultar o transporte de drogas pela fronteira. Segundo autoridades americanas, os indicadores oficiais apontam redução tanto nas travessias ilegais quanto em determinadas modalidades de contrabando. Rodney Scott afirmou que toda a extensão do rio Grande, conhecido no México como rio Bravo, contará com estruturas de contenção próprias. O curso d’água representa mais de 2 mil quilômetros da fronteira entre os dois países e é considerado uma das principais rotas utilizadas por migrantes e organizações criminosas.
O governo Trump também sustenta que houve uma mudança significativa na política migratória nos últimos meses. Recentemente, o presidente declarou que a Patrulha de Fronteira deixou de liberar imigrantes em situação irregular para permanecerem no interior do país enquanto aguardam processos administrativos.
Apesar da ampliação das barreiras físicas, autoridades reconhecem que grupos criminosos têm adotado novas estratégias para contornar os sistemas de segurança. Entre os principais desafios apontados estão a construção de túneis subterrâneos e o uso crescente de drones. Segundo Scott, organizações criminosas utilizam aeronaves não tripuladas para monitorar a movimentação de agentes de segurança ao longo da fronteira. Além disso, os equipamentos também estariam sendo empregados no transporte de drogas.
“Acompanham e gravam nossas equipes ao longo do rio Grande”, afirmou o comissário. Ele acrescentou que cartéis mexicanos têm investido cada vez mais em tecnologias para manter operações de tráfico mesmo diante do reforço das barreiras físicas.
A construção do muro permanece como uma das iniciativas mais simbólicas da política migratória de Donald Trump. Desde o primeiro mandato, iniciado em 2017, o republicano defende o endurecimento do controle fronteiriço. A proposta enfrentou disputas judiciais, questionamentos ambientais e resistência de setores da oposição, mas voltou a ganhar força após seu retorno à presidência e a aprovação de novos recursos para a obra.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



