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Ministro cubano fala sobre possível ataque dos EUA: 'Exército preparado'

Ilha no Caribe vive uma crise energética há três meses; governo de Cuba espera negociação com Washington

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Vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernandez de Cossio
Vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernandez de Cossio • Reprodução

O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossio, afirmou, neste domingo (22), que a ilha localizada no Caribe se prepara para um possível ataque dos Estados Unidos. Em entrevista à NBC, o cubano insistiu que o país "não tem disputa" com Washington, mas tem o direito de proteger o território. A ilha completou três meses sem receber combustível após bloqueio dos EUA. 

"Nosso exército sempre está preparado. E, de fato, nestes dias se prepara para a possibilidade de uma agressão militar", disse o vice-ministro das Relações Exteriores, acrescentando que o governo cubano espera "de verdade que isso não aconteça".

Na declaração em uma das principais redes de televisão e rádio comerciais dos Estados Unidos, Caros Fernández de Cossio destacou que Cuba não tem disputa com o país norte-americano.

"Temos, sim, a necessidade e o direito de nos proteger. Mas estados dispostos a sentar para negociar", disse.

A entrevista foi divulgada enquanto autoridades cubanas tentam restabelecer o fonercimento elétrico na ilha após o segundo apagão nacional em menos de uma semana, com a rede elétrica afetada por uma infraestrutura envelhecida e pelo bloqueio pretolífero dos Estados Unidos.

A tensão entre os países se intensificou desde que o principal aliado e forncedor de petróleo da ilha, o presidente desposto da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado e retirado do cargo de liderança em uma operação militar comandada pelos Estados Unidos em janeiro deste ano.

Na entrevista, gravada em inglês e antes do apagão, o político cubano continuou: "Estamos atuando da maneira mais proativa possível para enfrentar a situação."

Fernández de Cossio ainda afirmou esperar que os bloqueios dos EUA acabem. "Esperamos que o combustível chegue a Cuba de uma forma ou de outra e que este boicote imposto pelos Estados Unidos não dure nem se mantenha para sempre", disse.

A energia voltou em algumas partes de Havana, capital de Cuba, mas outras regiões continuavam sem luz na manhã deste domingo (22). Um dia antes, o Ministério de Energia havia informado uma "desconexão total" do sistema nacional de energia elétrica nesse país de quase 10 milhões de habitantes.

Sanções impostas pelos EUA contra Cuba

Desde 2024, houve sete apagões a nível nacional, o que complica a vida em um país em crise econômica. O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou, em 29 de janeiro, uma uma ordem executiva que ameaça impor tarias aos países que vendem petróleo à Cuba.

Para o republicano, a medida é considerada necessária para a "segurança nacional", enquanto Havana classifica a ação como um "ato de brutal agressão". Entretanto, devido às ameças estadunidenses, Cuba não importou petróleo bruto desde 9 de janeiro.

“Denunciamos ao mundo este ato brutal de agressão contra Cuba e seu povo, que há mais de 65 anos são submetidos ao mais prolongado e cruel bloqueio econômico jamais aplicado contra uma nação inteira”, escreveu na rede social X, antigo Twitter, o chanceler Bruno Rodríguez.

No início de fevereiro, Cuba anunciou um plano de contenção da crise, que inclui a proteção de serviços essenciais e o racionamento de combustível. Um dos países a se manifestar contra a medida foi a Rússia, por meio de um porta-voz de Moscou

“As táticas de asfixia empregadas pelos Estados Unidos estão, de fato, causando muitas dificuldades ao país. Estamos discutindo com nossos amigos cubanos possíveis maneiras de resolver esses problemas ou, pelo menos, de prestar toda a assistência possível”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

*Com AFP 

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.