Mais de duas décadas depois, Estados Unidos anunciam retirada total de militares no Iraque
Retirada das últimas tropas e equipamentos das bases do país no Oriente Médio está prevista para esta quarta-feira (30); saída marca o fim de uma operação liderada por Washington em 2003, que derrubou Saddam Hussein

Os Estados Unidos anunciaram, após 23 anos, o fim da presença militar norte-americana no Iraque, com a retirada das últimas tropas e equipamentos das bases do país, localizado no Oriente Médio, prevista para esta quarta-feira (30).
A saída marca o término oficial de uma operação liderada por Washington em 2003, que derrubou Saddam Hussein. Embora as forças estadunidenses tenham deixado o país em 2011, elas retornaram em 2014 para apoiar o Iraque na luta contra o grupo autointitulado Estado Islâmico (EI).
A nova retirada acontece em um momento em que as tensões persistentes com o Irã voltaram a colocar militares e interesses estadunidenses no Iraque na linha de fogo.
Na guerra em 2003, centenas de milhares de iraquianos morreram, o que aumentou a influência do Irã no país e abriu espaço para o surgimento do EI.
Em comunicado, o Pentágono afirmou que a retirada acontece após um acordo de 2024 entre Washington e Bagdá para encerrar a Operação Resolução Inerente, a missão da coalização liderada pelos EUA contra o EI.
A saída das forças da coalização da Base Aérea de Erbil marca, segundo o Pentágono, a conclusão da missão que derrotou o Estado Islâmico como ameaça militar organizada no Iraque e na região.
No auge da Guerra do Iraque, em 2007, mais de 170 mil soldados estadunidenses estavam mobilizados no país. Em dezembro de 2023, antes de o acordo de retirada ser firmado, esse número havia caído para cerca de 2.400, segundo o Comando Central dos EUA.
Desde então, as forças estadunidenses reduziram a presença no território, deixando apenas um contingente na região autônoma do Curdistão, no norte do Iraque.
Guerra no Iraque em 2003
A guerra do Iraque foi um conflito armado iniciado em 20 de março de 2003, quando uma coalizão multinacional liderada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido invadiu o Iraque com o objetivo de derrubar Saddam Hussein.
O conflito foi iniciado após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, com a administração do então presidente dos EUA, George W. Bush, ter adotado a doutrina de "guerra ao terror". A justificação oficial para a invasão foi baseada em dois pilares:
- A alegação de que o regime de Saddam Hussein mantinha e desenvolvia estoques ativos de armas biológicas e químicas.
- A suspeita de que o governo iraquiano apoiava e colaborava com organizações terroristas globais, como a al-Qaeda.
Entretanto, a invasão ocorreu sem o aval explícito do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Investigações e inspeções posteriores conduzidas no país confirmaram que o Iraque não possuía arsenais ativos de armas de destruição em massa na época.
Principais acontecimentos durante o conflito
- A ofensiva começou com bombardeiros estratégicos e avanço terrestre rápido a partir do Kuwait. Em cerca de três semanas, as tropas da coalizão atingiram a capital, Bagdá.
- Em 9 de abril de 2003, forças dos EUA e civis iraquianos derrubaram a estátua de Saddam Hussein na Praça Firdos, simbolizando a queda do governo Ba'ath.
- Em dezembro do mesmo ano, o ex-ditador foi localizado e capturado pelas forças norte-americanas. Saddam Hussein foi julgado por tribunais iraquianos por crimes contra a humanidade e foi executado em 30 de dezembro de 2006.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



