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Justiça da Colômbia ordena que candidato direitista peça desculpas por comentários sexistas

Em entrevista, o candidato 'exibiu em seu telefone celular uma fotografia íntima e afirmou ter obtido apoio do 'eleitorado feminino' a partir dessa imagem'

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O candidato presidencial de extrema direita da Colômbia, Abelardo de la Espriella • Vanessa Romero / AFP

A Justiça da Colômbia determinou, nessa terça-feira (2), que o candidato presidencial de extrema direita Abelardo de la Espriella peça desculpas públicas por declarações sexistas feitas durante uma entrevista, e por pressionar uma jornalista a comentar sobre os órgãos genitais dele.

O advogado milionário ficou em primeiro lugar no primeiro turno presidencial no domingo, mas sem apoio suficiente para evitar um segundo turno em 21 de junho contra o senador de esquerda Iván Cepeda.

Uma juíza de Bogotá deu a de la Espriella um prazo de 48 horas para ele se retratar e pedir desculpas pelos comentários feitos durante o programa de rádio Piso 8, em 12 de maio, que constituem "uma forma de violência" e reproduzem "estereótipos históricos discriminatórios contra as mulheres".

Em uma entrevista registrada em vídeo e que se tornou viral nas redes sociais, o candidato "exibiu em seu telefone celular uma fotografia íntima e afirmou ter obtido apoio do 'eleitorado feminino' a partir dessa imagem", indica a decisão judicial em resposta a uma ação movida por uma cidadã.

Em seguida, ele "insistiu para que uma jornalista presente observasse a fotografia e comentasse sobre ela, mediante frases como: 'aproxime e me diga o que você vê aí' e 'não seja tímida'", em um contexto de "insinuação sexual explícita", acrescenta a decisão.

O candidato vem recebendo uma enxurrada de críticas pelos frequentes comentários sexistas e homofóbicos.

"Não foi um simples comentário infeliz. Foi uma total falta de respeito comigo e com o meu trabalho. Senti-me violada, assediada e enojada", escreveu no X a jornalista envolvida.

O candidato respondeu à publicação e pediu desculpas, alegando que "tudo ocorreu em um contexto humorístico".

Mas o tribunal rejeitou essas justificativas e afirmou que o "problema constitucional não reside na utilização de uma linguagem coloquial", mas na mensagem transmitida ao sugerir que as mulheres "podem ser influenciadas politicamente" por critérios de atração sexual.

De la Espriella promove um projeto político que defende a família tradicional. As propostas de linha dura dele se aproximam das dos presidentes de El Salvador, Nayib Bukele, e da Argentina, Javier Milei.

*Com informações da AFP

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