Justiça da Bolívia decreta prisão de Evo Morales por suposto tráfico humano
O juiz determinou a prisão do ex-presidente boliviano após ele não comparecer, pela segunda vez, a audiência; Evo é acusado de ter tido um relacionamento com uma adolescente de 15 anos em 2015

O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, não compareceu pela segunda vez a audiência que tratava de uma acusação contra ele pelos crimes de tráfico humano e estupro contra uma adolescente durante seu governo — entre 2006 e 2019.
Com a ausência, o juiz Nelson Rocabado, decretou a emissão de um mandado de prisão do ex-presidente.
Morales foi representado pelo advogado, Jorge Pérez, que declarou que o ex-presidente não foi notificado oficialmente sobre a audiência e que, portanto, o aviso de não comparecimento, o mandado de prisão e a acusação formal emitida seriam “ilegais”, segundo a Agência Boliviana de Informação (ABI).
O Ministério Público (MP), que acusou formalmente Morales pelo crime de tráfico de pessoas, já havia intimado o ex-presidente em outubro de 2024, durante a fase de investigação, para que ele fosse depor em uma sede do MP.
Além do pedido de prisão, a Justiça também congelou os bens de Morales e o proibiu de deixar o país.
Originalmente a audiência deveria ter ocorrido na terça-feira (14), mas Morales não compareceu alegando "problemas de saúde". Os advogados apresentaram laudos de broncopneumonia e bradicardia, mas o juiz rejeitou os documentos dizendo que não eram "impedimentos jurídicos válidos" para justificar a ausência.
Entenda a história
Segundo o MP, Morales começou um relacionamento com uma adolescente de 15 em 2015. Na época, ele era o presidente e teve a "permissão" dos pais da suposta vítima em troca de benefícios. Um ano mais tarde, os dois teriam tido uma filha.
A investigação aponta que os responsáveis pela menor inscreveram a jovem na "guarda juvenil" de Morales visando "ascender politicamente" em troca da filha.
O ex-presidente, de 65 anos, nega as acusações e alega que outra investigação, com a mesma história, foi arquivada em 2020. Na época, Evo Morales foi investigado por estupro, mas dessa vez, a promotoria investe na acusação de tráfico de pessoas.
Se condenado, ele pode pegar uma pena de 10 a 15 anos de prisão.
O ex-presidente se encontra desde setembro em Cochabamba, seu reduto político no centro do país, sob a proteção de seus partidários, que afirmam ter montado vários "anéis de segurança" para impedir a prisão.
"A segurança do irmão Evo, neste momento, está a cargo de mais de 2.000 pessoas, todos os dias e 24 horas", disse na quarta-feira à AFP Vicente Choque, da Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia e um dos homens mais próximos ao ex-chefe de Estado.
Morales afirma que é vítima de uma "brutal guerra jurídica" orquestrada por Luis Arce, ex-ministro e ex-aliado do seu governo, que agora é presidente da Bolívia.
***Com informações de AFP.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.



