Itamaraty pede que brasileiros não viagem à Bolívia em meio aos protestos no país
Ministério das Relações Exteriores cita bloqueios em estradas e agravamento da crise social no país; acessos a destinos turísticos e à capital La Paz foram afetados

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou, nesta quarta-feira (27), um alerta consular recomendando que brasileiros evitem viagens aos departamentos de La Paz, Oruro e Potosí, na Bolívia, devido à série de protestos e bloqueios de estradas registrados nas últimas semanas. Segundo o Itamaraty, as interdições têm provocado “interrupções significativas” na circulação rodoviária e dificultado deslocamentos em diferentes regiões do país.
De acordo com o comunicado, os bloqueios afetam o acesso a destinos turísticos conhecidos, como o Salar de Uyuni e Copacabana, além de comprometer viagens para a região de La Paz e saídas da capital boliviana. Em alguns casos, a única alternativa para deixar as localidades tem sido o transporte aéreo.
O governo brasileiro também alertou que a situação é “dinâmica” e que não é possível descartar a ampliação dos bloqueios para outras áreas da Bolívia. Entre as recomendações aos brasileiros que já estão no país estão evitar deslocamentos rodoviários não essenciais, acompanhar as condições das estradas pelo portal oficial da Administradora Boliviana de Carreteras, manter contato frequente com familiares e seguir orientações das autoridades locais. O Itamaraty ainda orienta que turistas brasileiros não aceitem ajuda de desconhecidos, devido ao risco de golpes, furtos e roubos.
Confira o alerta do Itamaraty
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O que está acontecendo na Bolívia?
Os protestos na Bolívia se intensificaram nas últimas semanas em meio à pior crise econômica do país desde a década de 1980. Manifestações organizadas por agricultores, professores, caminhoneiros e operários pressionam o presidente Rodrigo Paz, eleito há cerca de seis meses, a renunciar ao cargo. Os atos incluem marchas e bloqueios de estradas em seis dos nove departamentos bolivianos.
A insatisfação popular envolve medidas de austeridade adotadas pelo governo, cortes em subsídios aos combustíveis, aumento do custo de vida e propostas de reforma agrária que geraram forte reação entre comunidades indígenas e trabalhadores rurais. A inflação anual no país atingiu 14% em abril, enquanto a escassez de combustível e produtos básicos agravou a tensão social.
Os protestos também contam com mobilizações de apoiadores do ex-presidente Evo Morales, que seguem influentes em setores sindicais e movimentos populares. Bloqueios em rodovias se tornaram uma das principais formas de pressão política no país, afetando o abastecimento de alimentos, combustíveis e serviços em cidades como La Paz e Cochabamba.
Nas últimas semanas, confrontos entre manifestantes e forças de segurança deixaram centenas de presos, além de registros de saques, incêndios e ataques a prédios públicos. O governo boliviano afirma manter disposição para negociar com os setores em protesto, enquanto cresce o apelo de parte da população pelo retorno da normalidade e pela retomada da circulação nas estradas.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
