Irã ataca Israel e nega negociações com Trump por fim da guerra
Investidas aconteceram em meio a um suposto cessar-fogo de cinco dias entre Estados Unidos e Irã; governo iraniano nega

O Irã lançou uma nova saraivada de mísseis contra Israel nesta terça-feira (24), causando danos e feridos em Tel Aviv, enquanto a incerteza pairava sobre possíveis negociações para pôr fim à guerra de três semanas no Oriente Médio.
O prefeito de Tel Aviv, principal centro econômico de Israel, Ron Huldai, disse a repórteres que um "ataque direto" danificou um prédio em bairro nobre. Segundo diversos veículos da mídia israelense, a polícia acredita que os danos foram causados por um míssil de fragmentação equipado com três ou quatro ogivas, cada uma carregando cerca de 100 quilos de explosivos.
A mídia iraniana noticiou que aviões de guerra israelenses e americanos atacaram duas instalações de gás e um gasoduto, horas depois de o presidente Donald Trump ter recuado da ameaça de atacar instalações de energia, citando negociações "muito boas" para pôr fim à guerra.
Trump afirmou que seu governo estava conversando com uma "pessoa importante" não identificada, alertando que, se as negociações fracassassem nos próximos cinco dias, "continuaríamos bombardeando sem parar".
Mas o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, supostamente envolvido nas negociações, disse que "não havia negociações" em andamento, acusando Trump de tentar "manipular os mercados financeiros e de petróleo".
As bolsas de valores dispararam e os preços do petróleo tiveram um breve alívio após a mudança repentina de posição de Trump, que ocorreu antes do prazo que ele havia estabelecido para reabrir a rota de navegação do Estreito de Ormuz ou ver os EUA "destruir" as usinas de energia do Irã.
O portal de notícias americano Axios informou que os negociadores dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, podem se reunir com uma delegação iraniana para conversas no Paquistão já nesta semana, com a possível participação do vice-presidente JD Vance.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, não negou as informações, afirmando que "especulações sobre reuniões não devem ser consideradas definitivas até que sejam formalmente anunciadas pela Casa Branca".
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, disse na segunda-feira (23) que conversou com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, prometendo a ajuda de Islamabad para trazer a paz à região.
"O Paquistão é um dos poucos países com relações cordiais tanto com Teerã quanto com Washington", disse Michael Kugelman, do think tank Atlantic Council. "O país tem se engajado intensamente nos mais altos níveis com ambas as capitais ao longo do último ano, desde o breve conflito com o Irã no verão passado", observou ele.
O Catar, mediador tradicional, afirmou na terça-feira que "apoia todos os esforços diplomáticos" para pôr fim à guerra.
*Com informações da AFP
(Sob supervisão de Alex Araújo)
Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.
