Impedidos de entrar em mesquitas, palestinos celebram fim do ramadã na rua
Nono mês do calendário muçulmano, sagrado para fiéis do islamismo, encerra com celebrações em meio a tensões e restrições

Palestino celebram, nessa quinta-feira (19), a festa de Eid el-Fitr, que marca o fim do período de ramadã, nono mês do calendário muçulmano, que representa um momento de jejum intenso e transformação para os fiéis do islamismo. Com o impedimento de Israel de palestinos acessem as mesquitas, templos sagrados da religião, a celebração precisou ocorrer na rua.
O governo israelense anunciou que liberaria o acesso ao Monte do Templo, em Jerusalém, a cerca de dez mil fiéis. Entretanto, com o início da guerra no Oriente Médio, o complexo da Mesquita de Al-Aqsa foi fechado para os festejos e as rezas de sexta-feira não foram realizadas no interior do templo.
“O Estado de Israel está comprometido com a liberdade de culto e religião e permitiu isso durante as duas primeiras semanas do abençoado mês do Ramadã, mas o eixo da morte liderado pelo Irã coloca em risco a vida de todos com o lançamento contínuo de foguetes em direção a Israel e a toda a região”, afirmou o Brigadeiro-General Hisham Ibrahim, chefe da Administração Civil.
Durante o mês sagrado, centenas de milhares de palestinos rezam neste terceiro local mais sagrado do Islã, localizado em Jerusalém Oriental, a parte da Cidade Santa ocupada e anexada por Israel.
Por vezes, durante o período de orações, os fiéis muçulmanos rezavam ajoelhados em frente aos escombros da Cidade Velha, mas eram impedidos por forças policiais que repreendiam veementemente as manifestações religiosas. Reuniões com mais de 50 pessoas estão proibidas no território
O Monte do Templo/Haram al-Sharif foi construído sobre as ruínas do Segundo Templo Judaico, destruído em 70 d.C. pelos romanos. Os judeus chamam o local de Monte do Templo.
É um local extremamente sensível, no centro das tensões relacionadas ao conflito israelo-palestino. No passado, confrontos ocorreram repetidamente entre palestinos e forças de segurança israelenses durante o Ramadã.
De acordo com uma regra estabelecida por Israel em 1967, após a conquista de Jerusalém Oriental, não muçulmanos podem visitar o Monte do Templo/Haram al-Sharif em horários específicos, mas estão proibidos de orar lá.
Primeira morte na Palestina é registrada durante guerra
Uma explosão sem aviso prévio foi registrada na cidade palestina de Beit Awa e matou quatro mulheres em um salão de beleza após bombardeio promovido pelo Irã.
Inicialmente, os médicos informaram que três mulheres morreram no local. Uma quarta mulher, grávida de seis meses, não resistiu aos ferimentos e faleceu posteriormente no hospital.
Todos estavam no salão de beleza na véspera do início do Eid al-Fitr, que marca o fim do mês sagrado muçulmano do Ramadã.
Na Cisjordânia ocupada por Israel, as primeiras mortes de palestinos na guerra do Oriente Médio intensificaram o sentimento de impotência diante da situação de vulnerabilidade que os cerca, agora presos no fogo cruzado de mais um conflito.
Insegurança alimentar pode crescer em meio a tensão
A guerra no Oriente Médio representa uma ameaça grave para a segurança alimentar mundial, advertiu nessa quinta-feira a diretora da Organização Mundial do Comércio (OMC), pedindo que as cadeias globais de abastecimento permaneçam abertas.
O conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã "ameaça a segurança alimentar global, já que as interrupções no transporte e o aumento dos custos energéticos reduzem a oferta e elevam o preço dos fertilizantes", disse Ngozi Okonjo Iweala à jornalistas em Genebra.
"Uma interrupção prolongada no fornecimento poderia se espalhar pelos sistemas alimentares, o que levaria os agricultores a reduzir o uso de fertilizantes e a cultivar menos culturas intensivas em insumos", acrescentou.
Uma das regiões afetadas pela crise humanitária, que pode ser intensificada com os desdobramentos da guerra, é a Palestina, que mantém conflito com Israel há mais de 60 anos, intensificado em 2023.
A passagem de fronteira de Rafah, única conexão por terra da Faixa de Gaza, que conecta a região ao Egito, foi reaberta nesta quinta-feira de forma limitada, pela primeira vez desde que Israel fechou o ponto em 28 de fevereiro, confirmaram à Agência France-Presse fontes oficiais palestinas e egípcias.
O local foi tomado pelas forças israelenses, durante a guerra contra o movimento islamista palestino Hamas, e foi reaberta para trânsito limitado. Contudo, a passagem foi novamente com o início dos ataques contra o Irã que desencadearam a atual guerra no Oriente Médio.



