Migrantes morrem na costa da Grécia após seis dias à deriva no Mediterrâneo
Dois homens do Sudão do Sul, de 19 e 22 anos, foram presos pelas autoridades gregas apontados como traficantes internacionais de pessoas

A morte de vinte e dois migrantes na costa da Grécia neste sábado (28) voltou a reascender a discussão sobre o cruzamento entre os direitos humanos e as rígidas políticas migratórias da Europa.
Segundo a Guarda Costeira da Grécia, um navio da agência europeia de controle de fronteiras resgatou 26 pessoas na noite de sexta-feira (27), perto da ilha grega de Creta.
Os sobreviventes, no entanto, relataram que colegas ficaram para trás. Os vinte e dois mortos teriam tido seus corpos jogados ao mar.
A embarcação, bastante precária, teria saído no último dia 21 de março de Tobruk, no leste da Líbia, em direção à Grécia, de acordo com o relato dos que sobreviveram à travessia.
Durante a viagem, grande parte dos migrantes teria se desorientado, ficando seis dias sem comida ou água potável.
Os corpos foram jogados ao mar por ordem de um dos responsáveis pela embarcação.
As autoridades gregas prenderam dois homens do Sudão do Sul, de 19 e 22 anos, apontados como traficantes internacionais de pessoas.
Desde 2011, com a queda de Muammar Gaddafi em uma revolta apoiada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a Líbia se tornou uma rota de trânsito para migrantes que enxergam na Europa, e na passagem pelo Mediterrâneo, uma esperança para fugir de conflitos armados e da pobreza.
Dados divulgados este ano pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) apontam que ao menos 606 migrantes morreram ou desapareceram no mar Mediterrâneo.
Só em janeiro, foram contabilizados 459 mortes ou desaparecimentos na travessia para a Europa, o maior número para o primeiro mês do ano desde que a contagem começou, em 2014.
Na última quinta-feira (26), o Parlamento Europeu aprovou um endurecimento na política migratória do bloco. A decisão endossou ainda os chamados “Centros de Retorno”, locais onde os migrantes seriam enviados para fora da União Europeia.
Essa medida foi apoiada pela maioria dos Estados-membros e por eurodeputados de direita e extrema-direita.
Atualmente, apenas 20% das ordens de expulsão emitidas na UE são realmente executadas, o que é visto como negativo pelo grupo que defende maior rigor nas políticas migratórias.
O texto também prevê regras e sanções mais rígidas para requerentes de asilo rejeitados que se recusam a deixar territórios da União Europeia, incluindo o confisco de documentos de identidade, detenção e a proibição prolongada de entrada.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.



