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Guerra no Oriente Médio agrava crises humanitárias em países da África, divulga ONG

Conflito tem como consequências o aumento de preços de combustíveis interrupção nas cadeias de suprimentos

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Reprodução / IRC

O Comitê Internacional de Resgate (IRC) alertou, nesta segunda-feira (30), que as consequências da guerra no Oriente Médio — envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã — como o aumento dos preços dos combustíveis e a interrupção nas cadeias de suprimentos, ameaçam operações humanitárias em países da África.

Em um comunicado, o IRC caracteriza os efeitos do conflito como "uma crise logística que se transforma rapidamente em uma ameaça humanitária crescente". No texto ainda é destacada a importância do combustível para, principalmente, manter recursos de saúde.

"O combustível é a espinha dorsal da resposta humanitária. Ele abastece hospitais, mantém vacinas refrigeradas, permite o deslocamento de ambulâncias e possibilita que a ajuda chegue a comunidades isoladas por conflitos e crises, especialmente em áreas onde o fornecimento de eletricidade é instável. Com o aumento dos preços e o aperto no abastecimento, esses sistemas começam a falhar", escreveu.

Caso a interrupção causada pela guerra persistir, a ONG alertou que operações humanitárias em vários países  — como Nigéria, República Democrática do Congo, Somália e Sudão — podem ser interrompidas.

  • Nigéria: Clínicas de do IRC saúde enfrentam a perspectiva de reduzir serviços, já que o uso de geradores se tornou muito caro devido ao aumento dos preços do combustível. Equipes móveis de saúde estão diminuindo a cobertura.
  • República Democrática do Congo: O aumento nos custos de transporte já está afetando as operações do IRC, atrasando a entrega de ajuda.
  • Somália: Cerca de 600 caixas de alimentos terapêuticos, destinados a alimentar mil crianças gravemente desnutridas em clínicas do IRC, estão retidos na Índia.
  • Sudão: Suprimentos farmacêuticos do IRC no valor de US$ 130.000, destinados a atender 20 mil pessoas, estão retidos em Dubai devido a problemas de transporte.

O vice-presidente do IRC para Emergências, Bob Kitche, descreveu que "é assim que uma crise global se torna humanitária. Já estamos vendo as consequência". "Sem a restauração das cadeias de suprimentos ou uma injeção de recursos para compensar o aumento dos custos, isso se traduzirá diretamente em mais pessoas sem acesso aos serviços de que dependem para sobreviver", acrescentou.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.