Gaza tem um chuveiro a cada 2 mil pessoas; OMS alerta para aumento de doenças
Entre as principais preocupações estão as infecções por Hepatite A; além das doenças, Unicef informa que 135 mil crianças correm risco de desnutrição grave

A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu, nesta sexta-feira (19), um alerta sobre as condições de saúde na Faixa de Gaza. De acordo com a entidade, a população tem apenas um chuveiro a cada 2 mil pessoas, e um banheiro a cada 500 habitantes, situação que aumenta o risco de propagação de doenças. Entre as principais preocupações da OMS estão as infecções respiratórias, por por Hepatite A e casos de diarreia entre crianças.
"As condições de vida desumanas – quase nenhuma água potável, banheiros limpos e a possibilidade de manter o ambiente limpo – permitirão que a hepatite A se espalhe ainda mais e destacarão o quão explosivamente perigoso o ambiente é para a propagação de doenças", escreveu o Diretor Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, no X (antigo Twitter), na quinta-feira (18).
Partos sem anestesias e bebês desnutridos
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informou que 20 mil bebês nasceram na Faixa de Gaza, desde o início da guerra entre o grupo terrorista Hamas e Israel, em 7 de outubro do ano passado. A situação do território fez com que mulheres fossem submetidas à cesarianas sem anestesia, enquanto outras não conseguiram dar à luz a seus bebês natimortos porque os médicos estavam sobrecarregados.
"Tornar-se mãe deve ser um momento de celebração. Em Gaza, é mais uma criança entregue ao inferno", afirmou Tess Ingram, especialista em comunicações da UNICEF.
Além dos desafios do parto, a OMS estima que cerca de 135 mil crianças, com menos de dois anos de idade, correm risco de desnutrição grave. Ingram denuncia as condições "desumanas" caracterizadas por abrigos improvisados, má nutrição e água imprópria. "Ver bebés recém-nascidos sofrer, enquanto algumas mães sangram até à morte, deveria manter-nos todos acordados à noite", disse.
De acordo com a especialista em comunicação, as equipes médicas são obrigadas a darem alta às mães três horas após uma cesariana, por causa das condições saturadas e dos recursos limitados. "Essas condições colocam as mães em risco de abortos, natimortos, partos prematuros, mortalidade materna e trauma emocional", explicou Ingram.
"A humanidade não pode permitir que esta versão distorcida da normalidade persista por mais tempo. Mães e recém-nascidos precisam de um cessar-fogo humanitário", desabafou Ingram.
Número de mortos
O sangrento ataque do movimento islamista Hamas em 7 de outubro deixou cerca de 1.140 mortos em Israel, a maioria civis, indicou um balanço da AFP baseado em números oficiais.
Israel prometeu "aniquilar" o Hamas e respondeu com uma ofensiva aérea e terrestre, que matou pelo menos 24.762 palestinos em Gaza - 70% mulheres, crianças e adolescentes, de acordo o Ministério de Saúde do Hamas.
*Com informações da AFP
Participe do canal da Itatiaia no Whatsapp e receba as principais notícias do dia direto no seu celular. Clique aqui e se inscreva.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


