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EUA podem não subjugar Irã apesar de poderio militar, dizem analistas

Analistas da CNN Brasil explicam que a superioridade militar dos EUA não é suficiente para subjugar o Irã, devido a fatores políticos, morais e a percepção do eleitorado americano

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump • Official White House Photo by Patrick B. Ruddy.

A superioridade militar dos Estados Unidos não é suficiente para subjugar o Irã, segundo analistas. Apesar do enorme desequilíbrio de poderio bélico entre os dois países, uma escalada do conflito esbarra em barreiras políticas, morais e na percepção do eleitorado americano — fatores que, de acordo com as análises, limitam de forma decisiva as opções de Washington.

Lourival Sant'Anna, analista de internacional da CNN Brasil, explicou, durante o videocast "Fora da Ordem", que o próximo passo possível em termos de ataques aéreos seria a destruição das usinas de dessalinização e de eletricidade que abastecem a população iraniana.

Segundo ele, essa possibilidade chegou a ser mencionada, mas foi descartada diante de um limite moral autoimposto.

"O presidente Trump chegou a mencionar essa possibilidade e sempre recuou, dizendo que isso seria um limite", afirmou Lourival.

Para o analista, a guerra é, acima de tudo, um evento político. Todas as escolhas militares e suas consequências estão inseridas em uma moldura política que não pode ser ignorada.

"A decisão de ir à guerra é uma decisão política, a decisão de atingir alvos civis também", destacou Lourival Sant'Anna.

Ele lembrou que, ao longo da história, decisões como o bombardeio de Berlim pelos aliados na Segunda Guerra Mundial ou o uso da bomba atômica pelo próprio governo americano foram julgadas pela história sob critérios morais.

Lourival Sant'Anna ressaltou que a questão não é a capacidade dos Estados Unidos de devastar o Irã, mas sim como o eleitorado americano julgará as atitudes tomadas no conflito.

Segundo ele, diversas ações recentes já contribuíram para drenar o chamado soft power americano — inclusive episódios relacionados à Copa do Mundo —, e os efeitos dessas decisões reverberam ao longo dos anos.

Já Américo Martins, analista sênior de internacional da CNN Brasil, acrescentou que parte da motivação para buscar um acordo com o Irã está diretamente ligada à perda de popularidade sofrida pelo presidente americano Donald Trump.

De acordo com Martins, Trump foi amplamente criticado nos Estados Unidos por ter iniciado o conflito sem um planejamento adequado e, segundo muitos analistas, sob influência do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que teria um objetivo estratégico claro: enfraquecer ao máximo o regime iraniano, suas lideranças e suas capacidades militares, reduzindo a ameaça ao Estado de Israel.

"Também não foi isso que se viu, porque a ditadura no Irã continua dando as cartas por ali", concluiu Martins.

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