EUA e Dinamarca fecham acordo para expansão militar na Groenlândia
Território autônomo da Dinamarca, ilha do ártico seguirá independente, mas acordo permite maior ação dos Estados Unidos no local

Os Estados Unidos e a Dinamarca assinaram um acordo de segurança durante a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), sobre o controle da Groenlândia. Pelo memorando, a ilha ártica segue como território europeu, mas os americanos poderão instalar duas novas bases militares.
O acordo foi assinado entre o presidente Donald Trump, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e do primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, durante uma cerimônia trilateral.
“Nenhum adversário dos EUA terá permissão para estabelecer uma presença militar na Groenlândia novamente, ou fazer investimentos sensíveis lá sem nossa aprovação expressa por escrito”, disse Trump, durante seu discurso na Assembleia antes da assinatura do acordo.
Mette Frederiksen afirmou que o acordo pode “durar para sempre” e reforça a importância da aliança da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), respeitando o direito da Groenlândia à autodeterminação.
Pelo acordo, os Estados Unidos vão estabelecer uma zona de defesa adicional em Narsarsuaq, no Sul da Groenlândia, e Mestersvig, no leste. A Casa Branca também pode modernizar e expandir sua única base ativa, em Pituffik, localizada no norte da ilha ártica.
O texto também reconhece a soberania e a integridade do reino da Dinamarca e o direito do povo groenlandês à autodeterminação. Também há uma seção que impede rivais dos EUA, como China e Rússia, de estabelecer bases na ilha, além de proibir países que não sejam membros da Otan ou da União Europeia de participarem em setores estratégicos da ilha.
O acordo também estipula que a Groenlândia, um território com 57.000 habitantes, permanecerá sujeita a esses termos mesmo que conquiste a independência da Dinamarca e deverá permanecer na Otan ou aderir a ela "se necessário".
Um pacto de defesa de 1951, atualizado em 2004, já permitia aos Estados Unidos reforçar sua presença militar na ilha, desde que notificassem Dinamarca e Groenlândia com antecedência.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



