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EUA: diretor do Centro de Contraterrorismo se demite durante guerra no Irã

Joe Kent, responsável por setor crucial no governo dos Estados Unidos, deixou o cargo por se opor ao conflito no Irã

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Demissão ocorre por posicionamento contrário do diretor em relação à guerra no Irã • Foto por - / UGC / AFP

O diretor do Centro Nacional de Antiterrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, anunciou pedido de demissão na manhã desta terça-feira (17) por meio de uma publicação no X, antigo Twitter. Segundo Joe, ele não pode “em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã”.

“O Irã não representava nenhuma ameaça iminente à nossa nação, e está claro que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e de seu poderoso lobby americano”, declara o ex-diretor na publicação.

“Até junho de 2025, o senhor compreendia que as guerras no Oriente Médio eram uma armadilha que roubava da América as vidas preciosas de nossos patriotas e esgotava a riqueza e a prosperidade de nossa nação”, complementa. Kent destaca a atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em gestões anteriores.

Para o diretor, a guerra com o Irã foi criada por pressão de um núcleo israelense no governo que teria minado a premissa “America First” (América primeiro, em tradução livre para o português), que prioriza os interesses estadunidenses, e teria criado uma “câmara de eco” para confundir Trump.

Joe Kent ainda lamenta a morte da esposa, Shannon, que teria morrido em uma “guerra fabricada por israel. O ex-diretor é um combatente veterano do exército dos EUA e atuou em 11 ocasiões.

“Rezo para que o senhor reflita sobre o que estamos fazendo no Irã e por quem estamos fazendo isso. O momento para uma ação ousada é agora. O senhor pode inverter o curso e traçar um novo caminho para nossa nação, ou pode permitir que escorreguemos ainda mais em direção ao declínio e ao caos. O senhor está com as cartas na mão Foi uma honra servir em sua administração e servir à nossa grande nação”, finaliza o diretor.

Trump considera Irã uma ‘ameaça iminente’

Após a onda inicial de ataques contra o Irã, Trump citou uma "ameaça iminente" aos EUA, e autoridades do governo disseram que o país agiu em resposta a possíveis ataques preventivos do Irã contra forças na região.

As alegações foram contraditas em reuniões do Pentágono no Capitólio, onde autoridades de defesa afirmaram que o Irã não planejava atacar a menos que fosse atacado primeiro.

A justificativa de Trump para atacar o regime iraniano tem oscilado entre a proteção dos manifestantes que protestaram nas ruas do Irã em janeiro e a defesa dos EUA contra o risco de o Irã construir armas nucleares e de longo alcance, além da eliminação de um regime que apoiou grupos terroristas que mataram americanos por décadas.

Ele chegou a pedir que o povo iraniano assumisse o controle do país, mesmo enquanto autoridades de alto escalão afirmam que a guerra não visa a uma mudança de regime.

PorGustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.