Entenda a descoberta que ganhou o Nobel de Química 2026 nesta quarta (7)
Vencedores dividem US$ 1,2 milhão, um pouco mais de R$ 6 milhões; prêmio é considerado o prêmio científico mais prestigioso do mundo

O francês Henri Kagan e o japonês Kenso Soai receberam, nesta quarta-feira (7), o Prêmio Nobel de Química por pesquisas sobre um processo de catálise assimétrica que tem importância para o desenvolvimento e a fabricação de medicamentos.
Segundo o Comitê do Nobel, as descobertas dos dois cientistas tiveram papel fundamental para químicos que desenvolvem reações utilizadas na produção de produtos farmacêuticos.
Kagan e Soai foram reconhecidos pela descoberta dos efeitos não lineares e da autocatálise na síntese orgânica assimétrica.
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Descoberta ajuda a explicar um fenômeno químico

Para entender a descoberta, imagine que existam duas peças quase idênticas, mas uma é o reflexo da outra no espelho. É como comparar a mão direita e a mão esquerda: elas têm o mesmo formato geral, mas não são exatamente iguais.
Algo parecido acontece com algumas moléculas. Elas podem existir em duas versões, mas, na vida, as células usam quase sempre apenas uma delas. Esse é fenômeno da homoquiralidade.
Durante mais de um século, os cientistas tentaram entender por que a natureza escolheu uma versão em vez da outra.
De acordo com a Real Academia Sueca de Ciências, as pesquisas de Kagan e Soai descobriram uma maneira de fazer uma reação química favorecer uma dessas versões.
Isso é importante porque ajuda os cientistas a entender melhor como a vida se formou e também pode facilitar a produção de medicamentos, já que, em alguns casos, pequenas diferenças entre essas duas versões podem mudar completamente a maneira como uma substância funciona no organismo.
“Henri Kagan e Kenso Soai apresentaram uma solução para um mistério químico que remonta a mais de um século: como a homoquiralidade pode surgir espontaneamente”, afirmou Heiner Linke, presidente do Comitê Nobel de Química.
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Kagan já foi considerado 'injustiçado' pelo Nobel
Pesquisas relacionadas à síntese assimétrica já haviam sido reconhecidas pelo Nobel de Química de 2001. Na ocasião, porém, Henri Kagan não foi incluído entre os vencedores, apesar de ser considerado um dos pioneiros da técnica.
A decisão provocou protestos na França, inclusive por parte do Ministério da Pesquisa.
Aos 95 anos, Kagan é professor da Universidade Paris-Saclay. Já Kenso Soai, de 76 anos, leciona na Universidade de Ciências Naturais de Tóquio.
Soai estava fazendo compras perto de casa quando recebeu a notícia de que havia sido escolhido para o Nobel.
“É o dia mais incrível da minha vida”, declarou o cientista, em entrevista por telefone à Fundação Nobel.
*Com AFP News
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.



