O papa Leão XIV pediu aos fiéis que tenham "esperança" durante a missa campal em Kilamba, na Angola, neste domingo (19). O pontífice, em discurso para cerca de cem mil pessoas, convidou os católicos a olharem adiante e acreditarem na construção de um país onde "as antigas divisões sejam superadas para sempre" e "onde o ódio e a violência desapareçam, e onde a chaga da corrupção seja curada".
O líder da Igreja chegou ao país africano no sábado (19) para a terceira etapa de uma viagem de onze dias ao continente. O papa Leão XIV tem denunciado o que chamou de "sofrimento" do povo angolano e as "catástrofes sociais e ambientais" geradas pela "lógica de exploração" do país, rico em petróleo e minerais.
O discurso de Leão XIV em torno da paz e da esperança por dias melhores no futuro acontece poucos dias depois de o pontífice ter sido alvo de críticas públicas por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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Neste domingo, uma multidão de fiéis começou a se reunir durante a madrugada em Kilamba, a cerca de 30 quilômetros de Luanda, para acompanhar a celebração.
Segundo a agência francesa de notícias, muitos católicos dormiram no chão, usando camisas com o rosto do papa e bandeiras do Vaticano.
Patrício Musanga, de 32 anos, era um dos que usava um boné branco com a foto do pontífice. Ele já esperava uma mensagem de esperança, paz e também de reconciliação nacional.
A mensagem, para o congolês naturalizado angolano, pode servir para todo o continente africano.
Depois de João Paulo II em 1992 e Bento XVI em 2009, Leão XIV é o terceiro papa a visitar o território angolano, ex-colônia de Portugal.
O pontífice deve viajar de helicóptero até o santuário mariano de Muxima, uma pequena cidade a 130 km da capital angolana.
Na Angola, quase um terço da população vive abaixo da linha internacional da pobreza, fixada em US$ 2,15 (cerca de R$ 10,70) por dia, segundo o Banco Mundial.